"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, janeiro 19, 2018

"Eu vim para que tenham Vida"

- Omraam Mikhaël Aïvanhov -


No “Sermão da Montanha” Jesus dirige-se aos discípulos, assim como à multidão de homens e mulheres que o haviam seguido, e lhes ensina a orar. Diz a eles: “Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás no Céu...”

Então, reflitamos. O que nos permite chamar um homem de “pai”? O fato de reconhecermos quem nos transmitiu a vida. Os filhos reconhecem no pai aquele de quem receberam a vida, e o pai vê nos filhos o prolongamento de sua própria existência/vida... Portanto, se quisermos saber o que Jesus tinha em mente ao apresentar a relação de seres humanos com Deus como uma relação de filhos para pai, devemos nos debruçar sobre esse imenso e misterioso campo que é a vida. Por toda parte existe vida, toda a natureza vive, todos os seres são vivos, e, no entanto, como são poucos os homens e mulheres que sabem o que é a vida!

Quando estão passando por dificuldades, infelicidades, eles exclamam: “Fazer o que... é a vida!” Entendem a vida como algo exterior, que devem suportar passivamente. Insucessos, acidentes, doenças, sofrimentos, “é a vida!”. Se amaram, casaram-se, e, agora, divorciam-se, então, mais uma vez, “é a vida!”. Não, a vida não é isso. Eles chamam de vida uma sucessão de erros, fraquezas, fracassos, sem se darem conta de que foram eles que produziram essa existência lamentável. O Criador havia prescrito uma outra vida para eles!

Jesus dizia: “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.” De que vida estamos falando? Nós já estamos vivos!... Foram essas palavras de Jesus que me levaram a tantas explorações no âmbito da vida. Leia atentamente os Evangelhos e você verá que Jesus só fala da vida. Por isso é necessário sempre retornar a essa questão da vida, para estudá-la sob todas as suas formas.

Os seres humanos buscam o poder, a riqueza, o conhecimento, o amor... Mas não, é a vida que devem buscar. Vocês dirão: “Mas por que buscar a vida? Já a temos, estamos vivos. O que precisamos fazer é buscar aquilo que não temos.” Vocês estão vivos, é verdade, mas a vida não é a mesma em todos os seres, a vida tem graus. Do mineral até Deus, passando pelos vegetais, os animais, os homens, os anjos, tudo está vivo. Não basta viver, é preciso perguntar a si mesmo que tipo de vida se está vivendo. Por sua conformação física, o homem, naturalmente, leva uma vida de homem. Mas no seu interior a vida pode assumir formas e cores infinitas. A vida a que Jesus se refere e deseja levar a todos os seres humanos é a vida divina, semelhante a uma corrente que brota pura e límpida da Fonte original.

A vida costuma ser comparada ao fluir da água. E quanta diferença entre a água da nascente, no alto da montanha, e aquela que chega à desembocadura do rio, depois de receber todo tipo de sujeira e produtos tóxicos! Essa água de que os homens tanto precisam para viver – mais necessária até que o alimento (podemos ficar mais tempo sem comer do que sem beber) – é uma fonte de regeneração, mas também pode ser causa de morte. Quando um rio chega à planície e atravessa uma grande cidade, ninguém teria a idéia de beber nele para matar a sede. Sim, vejam o Sena em Paris... Não quero nem descrever tudo o que foi atirado nele ao longo de seu percurso. É sempre o mesmo curso d’água, mas não é mais a água pura que brotou lá no alto da montanha!

Pura ou poluída, a água continua sendo água, como a vida continua sendo vida; mas nada é mais vivificante do que a água pura, ao passo que a água poluída traz a morte. Ainda hoje, quantas pessoas não ficam doentes e morrem por ter bebido água poluída!

A Vida brota no seio de Deus e desce para dar de beber a todas as criaturas. Mas os seres humanos não têm consciência do caráter sagrado presente nela, eles sujam a vida de Deus, a água de Deus. Espantados, vocês se perguntam: “Mas como é que poderíamos sujar a vida divina?”. Toda vez que lhes falta sabedoria, amor, desinteresse, é como se estivessem jogando lixo no rio do Senhor. E o rio não protesta, ele aceita tudo, para ajudar os seres humanos.

Guardemos a imagem do rio, pois ela nos esclarece sobre essa unidade infinita que é a vida. Entre a fonte e a foz de um rio, quantas regiões diferentes não foram atravessadas, e que enorme diferença, portanto, na qualidade da água! No entanto, é o mesmo rio. Quando falamos da vida é preciso ter consciência de que nela está abarcada a totalidade das existências. Nada nem ninguém pode prescindir da vida. É dessa vida que se alimentam todas as criaturas, e isso quer dizer que se alimentam da vida umas das outras. Então, não se surpreenda se eu disser que, num nível ou outro, cada um come e é comido.

É muito fácil de entender: quando vocês são tomados por pensamentos e sentimentos egoístas, injustos e maus, é como se tivessem se alimentado nas regiões inferiores da vida. Aceitando esses pensamentos e esses sentimentos, vocês os fortalecem; mas não apenas os fortalecem, pois, como os pensamentos e sentimentos também emitem ondas que se propagam, vocês projetam emanações insalubres que servem de alimento a outras pessoas e mesmo às entidades infernais. Ao passo que quando se esforçam por cultivar pensamentos e sentimentos de harmonia e generosidade vocês não só se ligam às entidades superiores como esse alimento divino vai nutrir outras criaturas luminosas, e é assim que vocês viverão com elas, pois as terão alimentado.

A vida é feita de transformações, de incessantes transferências de uma criatura para outra. Cada um absorve a vida dos outros e, em troca, também os alimenta com sua própria vida. Portanto, sejam vigilantes, sabendo que só depende de vocês o alimento que vão receber e aquele que vão dar, de quem vai recebê-lo e a quem vão dá-lo. Tanto as criaturas angélicas quanto as diabólicas podem alimentar-nos ou se alimentar de nós.

Vocês dirão que os demônios estão no inferno e que é impossível nos alimentarmos deles ou que eles se alimentem de nós... Mas como é que vocês imaginam o inferno? Onde ele fica? Ele também faz parte do rio da vida; apenas não está na fonte, mas na desembocadura, e também é alimentado pela vida divina. Deus é a fonte da vida, foi Ele que tudo criou, e nada nem ninguém existe fora Dele. Todo ser vivo vive a vida de Deus. Assim sendo, devemos aceitar que esses seres que chamamos de demônios também tenham recebido a vida de Dele. Pois eles vivem, não podemos negá-lo, e se Deus não lhes retira a vida, é porque aceita sua existência.

A luz, o amor, a paciência de Deus alimentam todas as criaturas. Naturalmente, as que não permanecem junto a Ele provam-se dessas bênçãos. Mas são elas que se privam, não é o Senhor que as retirou delas. Alguns ficarão escandalizados com a maneira como apresento o inferno e os demônios. Pois bem, não adianta ficar escandalizado, é preciso raciocinar. Se as entidades tenebrosas não obtiveram sua vida de Deus, de quem a receberam? Acaso teriam criado elas mesmas ou a receberam de algum outro criador? Se Deus não é o único dono da vida, isso significaria que tampouco é o dono único do universo, e, portanto, não é todo-poderoso. Vejam só quantas contradições... Portanto, entendam que, se os espíritos infernais receberam a vida de Deus, também se alimentam da vida de Deus. Mas qual é o alimento que recebem? Certamente não é o mesmo alimento dos anjos, mas as cascas, os detritos deixados por outras criaturas à medida que a água do rio se afasta da Fonte; pois nessas cascas ainda sobram algumas partículas de vida lá do alto.

É preciso que isso fique bem claro. Deixando a fonte divina, o rio da vida desce, e ao descer atravessa as regiões chamadas pelos cristãos de hierarquias angélicas, e pelos cabalistas de sephirot. Mas a vida que sai de Deus não se detém aí, compreendendo também, mais embaixo, as regiões designadas pelos cristãos como “inferno” e pelos cabalistas como “kliphoth”, cujo significado é crosta, casca. Essas regiões ainda contêm alguns átomos da vida oriunda de Deus, é preciso repeti-lo sempre, pois não pode existir nenhuma vida fora de Deus. Se houvesse uma vida fora de Deus, é porque haveria um outro criador, e nesse caso teríamos o direito de sair em busca dele: o primeiro não sendo todo-poderoso, teríamos motivo para procurar um outro.

E como essa questão da unidade da criação não foi claramente explicada pela Igreja, diversos homens e mulheres quiseram pôr-se a serviço de Satã para combater o Senhor. Quanta ignorância! Que vitória imaginavam obter? Eles não sabiam que iriam absorver todas as imundícies, todos os restos caídos da vida divina. Mas que benefício, hein!

No plano físico, um malfeitor, um monstro, pode comer o alimento mais suculento e servi-lo a seus convidados. Mas no plano psíquico/sutil só podemos comer ou dar de comer um alimento que se assemelhe a nós, que corresponda ao que somos em nosso coração, nosso intelecto, nossa alma e nosso espírito. Atraímos aquilo que tem afinidade conosco e damos aquilo que emana de nós. E de acordo com a qualidade desse alimento, nos fortalecemos, nos enriquecemos... ou então nos debilitamos.

“O ladrão vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida...”. Por que será que Jesus opõe as intenções do ladrão às suas próprias? O ladrão vem para tomar e Jesus vem para dar. E se ele vem para dar a vida é porque esse ladrão ao qual se opõe vem para tomá-la. Quem é esse ladrão que vem furtar os seres humanos? Na realidade, são muitos ladrões, e dos mais diferentes tipos. Alguns estão do lado de fora, mas muitos estão sobretudo neles mesmos: são os desejos e as ambições que eles se mostram sempre dispostos a satisfazer, sacrificando o que têm de mais precioso: a vida, a vida divina.

Vocês certamente leram no Antigo Testamento a história dos dois filhos de Isaac: Esaú e Jacó. Esaú, o mais velho, passava o dia caçando ou trabalhando no campo, enquanto Jacó se ocupava tranquilamente na tenda. Certo dia, retornando do campo cansado e faminto, Esaú encontrou Jacó preparando uma sopa de lentilha. Incapaz de resistir ao alimento, ele cedeu a Jacó seu direito de primogenitura, em troca de um prato de lentilha. Perder o direito de primogenitura, com as honrarias e vantagens decorrentes, por uma sopa de lentilha – que troca mais desproporcional! Mas trata-se de mais um relato simbólico que precisa ser interpretado.

Aceitando abrir mão de seu direito de primogenitura para poder imediatamente saciar a fome, Esaú é o ser humano disposto a sacrificar o que lhe confere grande valor aos olhos de seu Pai celeste em troca de prazeres imediatos. Devemos entender o direito de primogenitura num sentido bem amplo; não é questão de ir agora dizer aos primogênitos de todas as famílias para não abrirem mão das prerrogativas de sua posição. Estou aqui falando a vocês sobre o plano espiritual, não a respeito do plano físico.

Nas famílias terrenas, existe necessariamente o filho que nasceu primeiro, o segundo, o terceiro, etc., pois estamos no plano físico, e no plano físico, regido pelas leis do espaço e do tempo, há sempre uma ordem uma classificação: um objeto depois do outro, uma pessoa depois da outra; eles não podem apresentar-se todos juntos no mesmo lugar. Mas no plano espiritual, na família divina, os seres humanos ocupam todos a mesma posição. Todos desfrutam, portanto, do “direito de primogenitura”, ou seja, da condição de filhos e filhas de Deus. Depende apenas deles se conscientizarem disso e trabalharem para preservar a sua posição. Só aquele que põe em primeiro lugar seus apetites, seus instintos, perde essa condição de filho de Deus: seu pai não é mais Deus ou o Espírito Santo, mas essa entidade que é chamada por Jesus, nos Evangelhos, de Mammom, e que não passa de outro aspecto desse mesmo Satã que veio tentá-lo no deserto.

A sopa de lentilhas representa a satisfação do estômago, mas fome também é sinônimo de todos os apetites, de todas as cobiças. Quantas outras fomes não impelem os seres humanos a se atirar sobre outras satisfações, fazendo-os perder seu direito de primogenitura, sua dignidade de filhos de Deus! Toda vez que um ser cede a um instinto – gula, sensualidade, cólera, ciúme, ambição, ódio – está vendendo seu direito de primogenitura, sua realeza interior, por um prato de lentilhas, e com isso empobrece, submete-se, torna-se escravo. Ele deu algo de extremamente precioso em si mesmo, partículas da vida divina, em troca de uma coisa que não valia a pena.

E mais tarde, quando Isaac, à beira da morte, quer dar a benção a Esaú, sua mulher, Rebeca, dá um jeito para que Jacó receba a bênção. Quando Esaú chega, é tarde demais; Isaac tinha dado tudo a Jacó, e pode apenas dizer: “Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e mosto o tenho fortalecido; que te farei, pois agora, meu filho?” Esaú já não é senhor de si mesmo, foi a seu irmão que Isaac deu o trigo e o vinho... O trigo e o vinho... O trigo, de que é feito o pão, e o vinho: será por acaso que aí estão os dois alimentos simbólicos que Melquisedec trouxera a Abraão e que Jesus dará a seus discípulos ao despedir-se deles? Quantas coisas não poderíamos descobrir na Bíblia se soubéssemos interpretar todas essas narrativas e, principalmente, relacioná-las umas às outras!

Ao dizer “eu vim para que tenham vida” Jesus nos obriga a tomar consciência de que nossa compreensão da vida é insuficiente. Nós recebemos a vida e vivemos... Nós a utilizamos, tomamos dela para satisfazer nossos desejos e necessidades, julgando assim nos desenvolver, quando na verdade nos debilitamos. E Deus, que nos deu a vida para que sejamos fortes, belos, poderosos, luminosos, na plenitude, vê apenas seres infelizes, franzinos, pálidos, encolhidos.

Portanto, se há uma coisa que eu compreendi, é que a única ciência que vale a pena ser estudada é a ciência da vida. E gostaria de convencê-los, pois todos os outros temas que abordarão, todas as atividades que empreenderão só poderão realmente proporcionar-lhes algo se vocês tiverem entendido essa realidade essencial: a vida. A consideração que vocês têm por essa vida divina que receberam determina a qualidade do seu comportamento e das suas ocupações.

Os seres humanos se esgotam na busca do poder, do sucesso, do prestígio, do dinheiro. Admitamos que os obtenham (o que nem é garantido), mas desperdiçam sua vida nesse processo, que lhes resta? Eles transformam a vida num meio de obter tudo que desejam, quando, pelo contrário, deveriam considerá-la como um objetivo, valendo-se de todas as faculdades para fortalecer, esclarecer e purificar a vida neles próprios. Em vez de estudar a vida, eles estudam a doença e a morte. A vida é assim por eles debilitada, diminuída. E no entanto, sem a vida nada há. Não nego o valor de certas aquisições, mas é graças à ciência da vida que cada coisa encontra lugar e sentido.

É a vida que alimenta o intelecto, o coração e a vontade. Quando o homem preserva essa vida em si mesmo, seu intelecto compreende, seu coração ama e se alegra, sua força de vontade cria e se revigora. Caso contrário, seu intelecto se entorpece, seu coração esfria e sua força de vontade vacila. Sem a vida não existe mais a possibilidade da ciência, da arte, da filosofia. Por isso é que lhes digo que a ciência da vida é a chave de todas as realizações. Ampliem a vida, limpem a fonte em vocês, para que a água corra mais livremente: poderão então encher os reservatórios e enviar essa vida ao intelecto, que será esclarecido, ao coração que se abrirá para as dimensões do universo, e à força de vontade, que se tornará criadora, incansável.

A vida é como a gasolina em um carro: se não tiver mais gasolina ou se você colocar qualquer outro líquido, ele não andará; porém, não falta nenhuma peça!.... A vida também pode ser comparada ao sangue: o sujeito mais vigoroso torna-se inanimado se for privado de seu sangue. Mas pergunte a alguém: “O que você faz da sua vida? Por acaso pensa em preservá-la, em torná-la mais forte, mais rica?” A pessoa olhará para você com espanto, pois, para ela, preservar a vida significa apenas não se expor imprudentemente aos perigos e se tratar quando estiver doente. No resto do tempo, a vida lhe serve para correr atrás dos prazeres, das aquisições materiais, para ganhar dinheiro ou prestígio. Esse ignorante não sabe ainda que o verdadeiro dinheiro é a sua própria vida. Sim, a vida é dinheiro! E um dinheiro que permite fazer compras em lojas muito melhores que as lojas daqui da Terra.

O dinheiro é a expressão material de todas as possibilidades que a vida nos oferece, sim, mas apenas a expressão material. É necessário aprender a transpô-lo para os outros planos – afetivo, mental, espiritual – para obter nesses planos o equivalente do que podemos obter no plano físico.

A vida é o óleo para a lâmpada, a água para o moinho, a gasolina para o automóvel, a corrente elétrica para a usina, o sangue para o organismo. É ela que permite que tudo funcione. Mas, apesar disso, é a mais ignorada, a mais desprezada. “Como?”, pergunta alguém. “Eu considero a vida o bem mais precioso. Ontem à noite um assaltante me abordou no escuro, numa esquina, ameaçando: ‘a bolsa ou a vida!’ Óbvio que eu entreguei a bolsa.” Muito bem, isto é verdade, quando a questão se apresenta assim, é a vida que escolhemos. Mas em outras circunstâncias não pensamos nela, a desperdiçamos, a depreciamos. É preciso ser posto contra a parede para entender. Antes, porém, as pessoas não têm consciência, desperdiçam a vida na busca de satisfações e vantagens que nunca são tão importantes quanto a vida em si. Para ganhar alguns trocados, para ter o prazer de se vangloriar de alguns sucessos, quantas pessoas são capazes de desperdiçar a própria vida! Em sua balança interior, diante do pouco que ganharam, elas nunca pensam em avaliar os tesouros da vida que perderam.

E para quantos homens e mulheres a vida só tem interesse quando vivida nos excessos! Preferem até matar-se, desde que possam viver sensações intensas... Será que se perguntam se foi para isso que Deus lhes deu a vida, e se não haveria outras maneiras de viver intensamente?... Não, a maioria dos seres humanos tem uma concepção da vida que os conduz à morte, à morte física ou espiritual, e, muitas vezes, às duas. Claro, todos morreremos um dia, mas isso nunca nos deve impedir de estudar a única verdadeira ciência: a ciência da vida. É a vida o que temos em comum com Deus e com tudo que existe no universo. Portanto, é nos tornando vivos que entramos em comunicação com Deus, com todas as criaturas e com o universo.

Querem vocês, então, tornar-se mais vivos? Querem que sua vida se torne mais intensa em suas vibrações, em suas emanações? Entre os milhares de conselhos que posso lhe dar, guarde pelo menos um. Tomem consciência de toda a vida que existe ao redor, e tratem de respeitá-la como uma manifestação da vida divina. Se pelo menos os homens aprendessem a respeitar essa vida nos outros, ao redor deles, já seria um grande progresso. Mas como é que eles consideram uns aos outros? Quando se encontram, será que pensam: “Eis uma criatura que, como eu, contém uma parcela da Divindade; então, devo tratar de respeitá-la, de protegê-la”? Não, não, muitas vezes eles se vêem apenas como sombras ou autômatos; maltratam uns aos outros, procuram servir-se uns dos outros como se fossem objetos ou instrumentos, e quando se sentem demasiado incomodados, um logo trata de eliminar o outro. Mas que vida esperam ter com tal comportamento?

Tornar-se vivo é despertar para as manifestações infinitas da vida ao nosso redor, saudar as pessoas que encontramos, ver nelas a centelha de vida divina, agradecer-lhes por tudo que fazem por nós, às vezes sem que sequer o saibamos. Tornar-se vivo é maravilhar-se sempre, ver sempre os seres e as coisas como se fosse a primeira vez. Sim, isso é tornar-se vivo da vida do próprio Deus. Como esse é o vínculo mais forte que nos une a Deus, para sermos verdadeiros filhos e filhas de Deus devemos trabalhar para tornar divina a nossa própria vida. É possível encontrar a verdadeira religião nas igrejas, mas ela está, antes de mais nada, na vida, cabendo portanto a nós estabelecer uma relação consciente com todas as melhores manifestações da vida.


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terça-feira, janeiro 16, 2018

Mente: uma via de percepção

- Joel S. Goldsmith - 


No plano humano, a mente é criativa. Ela pode criar o bem e o mal – e os cria.

No plano espiritual, contudo, a mente não é uma faculdade criativa, mas uma larga via de percepção da Perfeição Absoluta.

Se, por exemplo, tivermos uma tela em branco diante de nós, e, em vez de torturar nossos cérebros buscando algo para preenche-la, aprendermos a ficar quietos e esperar, tomando a atitude interior: “Aí está a tela, Pai, pinte o quadro”, nós encontraremos ideias a fluir livremente, e dentro de nossa consciência surgirão as diretrizes do que a nossa mente e nossas mãos irão executar.

Em tal estado de receptividade, as invenções, as descobertas e os projetos na prancheta, ou qualquer ideia que seja necessária, serão desenvolvidos, assim como receberemos habilidade para executar tais ideias.

Assim ocorre porque a sede real da inteligência é a Alma ou Espírito e a Inteligência divina atuando por meio do seu instrumento, que é a mente.

Todo o segredo está em fazer a transição entre uma mente que pensa, projeta e planeja e uma mente que repouse num estado de lucidez do qual possam fluir as ideias divinas.

Contudo, desde a experiência ilusória conhecida como “queda do homem”, ou seja, desde que o homem se reconheceu como carnal  separado do Espírito Único  Deus, a mente tem sido usado como uma faculdade criativa, e é o que está na raiz dos nossos problemas e sofrimentos de hoje.

Assim, quando somos chamados a ajudar nossos familiares, amigos ou os demais, ou mesmo a ajudar a nós mesmos, em vez de tentar mudar as pessoas ou as condições, ou em vez de condenar a nós mesmos ou aos outros, podemos perceber que isso é só mais uma maneira de a mente se nos apresentar.

A ação de curar reside na nossa descoberta de que “a mente não é um poder: a mente é uma larga via de percepção”.

Poderemos observar o quão milagrosamente isso trabalha, sempre que formos induzidos a cometer qualquer tipo de erro, se não o combatermos mas silenciosamente percebermos: “Deus é o grande e único princípio criativo da vida, a fonte de todo Ser. Apenas Deus. Tu não terás outro Deus fora de Mim – nenhum outro poder, nenhum outro criador, mas só Um; só Deus É, e o que me aborrece não pode vir de Deus, e sim da mente. É a mente me apresentando um quadro de algum tipo de carência”.

Aqueles que vivem no Espírito têm vislumbres do Real ou da Criação Espiritual, e são capazes de discernir o homem real, feito à imagem e semelhança de Deus, e de ver que nada jamais interfere na harmonia do desenvolvimento e revelação do homem espiritual.

Contudo, no nível humano, nossa mente governa nosso corpo e todos os aspectos da criação, e os governa para o bem e para o mal.

Num dia nos traz saúde e noutro, a doença; um dia traz a riqueza e outro dia, a carência, pois a mente sendo da Terra é constituída das duas qualidades – bem e mal  , e por isso se manifesta e se exprime por esses extremos.

Até que nos elevemos acima da "mente - pensamento", não poderemos estar acima dos pares de opostos.

Quando transcendemos a mente pensante e tocamos o reino do Espírito, vivemos num estado de consciência diferente. Não mais lançamos mão de afirmações ou negações, remédios físicos ou mentais: agora fazemos contato com o centro espiritual, onde encontraremos a paz, e então achamos ter transcendido a atividade mental do bem e do mal.

Vivemos na aparência uma vida que o mundo chama “normal”, mas que é na verdade um vida espiritual que, em grande medida, é intocada pela atividade da mente sem iluminação.

Corretamente entendida, a mente é um instrumento de Deus, criada por Deus. Portanto, a mente em si mesma, assim como seus produtos, é só um efeito. Não é causa, mas efeito. Apenas Deus, Alma ou Espírito, é Causa, e o corpo e a mente, efeitos.

Se permanecermos com a verdade espiritual em nossa consciência, nenhum dos males deste mundo se aproximará de nossa moradia, porque a verdade mantida na consciência passa a viver nossa vida.
Vivendo numa atmosfera de discernimento espiritual e preenchendo a consciência com a Verdade, momento virá em que a Verdade assuma a direção da nossa mente e não nos será mais necessário preencher a mente com a Verdade.

A partir daí, será o contrário. Não mais seremos nós a pensar na verdade lembrando, afirmando ou meditando sobre ela: será a própria Verdade a usar nossa mente para se expressar, sempre nos usando, sempre fluindo através de nós.


sábado, janeiro 13, 2018

Diga "Eu sou Deus" convictamente!

- Dárcio Dezolt -


O tempo inteiro o mundo lança sobre você as crenças hipnóticas contrárias à Verdade e à Unidade. O dualismo que forma o "mesmerismo de massa" não lhe dá trégua! Por isso, não relute em afirmar a Verdade: "EU SOU DEUS!" Afirme-a resolutamente, sem reservas ou restrições! "Sem o Verbo (Deus), nada do que foi feito se fez", diz a Bíblia! Você vive! Você é Verbo! Você é Deus!

Não vá na conversa mésmerica de que somente será Deus "quando estiver consciente deste fato"; se você assim acreditar, estará afirmando: "EU SOU ILUSÃO!"

A dualidade é uma farsa! A Verdade é fato perene! Acreditar em "conscientização humana" para que alguém seja Deus é duvidar de que Deus seja Tudo! Afirme com coragem e determinação: "EU SOU DEUS!" Não existe outra opção!

Não há outra PRESENÇA, sendo a SUA PRESENÇA, que não seja DEUS! Não ceda a nada que contrarie o Fato eterno! Não admita aceitar o que a cega e ilusória "mente humana" lhe diz que você é! Esta mente não existe! Sente "resistências", quando afirma "Eu Sou Deus"? Tais "resistências" são as "crenças" infiltradas em sua aceitação! Não perca tempo com sugestões hipnóticas! Expulse-as! Viva a Verdade que é VIDA sendo VOCÊ! Entenda que não há Verdades pessoais, mas tão somente universais! Se Jesus disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida", a UNIDADE QUE SOMOS é quem o afirma! Simplesmente endosse-a! Sem rodeios! Afirme: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida", "Eu sou Deus!"

Faça isso e estará no juízo justo, o julgamento que "honra o Filho como honra o Pai", como disse Jesus. Honre-se formando a "Videira una", sem dar brechas ao dualismo do "mesmerismo". Ilusão é nada! Não se conscientiza de coisa alguma! E DEUS É TUDO! Já está consciente de SER TUDO! Por isso, você, como Consciência, é DEUS!


quarta-feira, janeiro 10, 2018

"Batei, e se vos abrirá"

- Dárcio Dezolt - 


“Batei, e se vos abrirá” – disse Jesus. Dava assim a garantia de que “todo aquele que se dedicasse  a conhecer a Verdade”, nunca o faria em vão: de uma forma ou de outra, ele a teria revelada! O suposto “mundo fenomênico” é um ardil da “mente carnal”, desviando a atenção do real e permanente Reino de Deus, incapaz de ser percebido ou mostrado por ela! Ocorre, no entanto, que é NELE que todos estamos agora vivendo! Desse modo, enquanto este “bater”, que nos faça ver a “porta da Verdade se nos abrir”,  for feito com esta “mente falsa e cega”,  seremos iludidos por ela e sua ilusão de “vida terrena”!

A Verdade que alguém possa desejar conhecer, é a Verdade que ele próprio já É! Por isso vem-lhe o desejo de conhecê-la! “Ao que TEM, muito lhe será dado, mas, ao que NÃO TEM, até o pouco que tem lhe será tirado”, disse Jesus. A aplicação desta revelação, em seu alcance absoluto, indica a necessidade de admitirmos, a priori, que "somos a Verdade", para que estejamos na mesma frequência do que, aparentemente, desejarmos conhecer.

A “lógica divina” difere por completo da suposta “lógica humana”, que considera as pessoas sempre carentes ou necessitadas de algo do que creem não possuir. Na “lógica divina”, imperam as “loucuras de Deus”, dentre as quais figura esta iluminada e importantíssima instrução de Jesus: “Ao que tem, muito lhe será dado”!

Não há Deus algum dando “graças e bênçãos” a prestação! “Vosso Pai se agradou em dar-vos o Seu Reino” – declarou Jesus. Por que a maioria, mesmo após mais de dois milênios, continua ignorando tão importante revelação? Por estar convicta de viver num limitado, finito e imperfeito "mundo material"! Por que Jesus fez a iluminada declaração, de que “JÁ TEMOS O REINO DE DEUS”? Por ser a VERDADE, e por saber que A MENTIRA teria de ser por ela substituída! “Vós, deste mundo, não sois” – disse ele.

Se alguém disser que “deixou de ter um ilusório mundo terreno”, por ter-se aceito como dono do Reino Celestial, provavelmente terá sua sanidade posta sob suspeita! Para a maioria, a ILUSÃO é a VERDADE, e, como disse Paulo, “as coisas de Deus são loucuras para os homens”. Em vista disso, quem estuda o enfoque absoluto, deve se habituar com as revelações estranhas à limitada “lógica do mundo”!

Aceite as Verdades reveladas como confiáveis e já em evidência. Primeiramente, acredite que VOCÊ É A VERDADE, e nunca que está “à procura dela”! Aceite que VOCÊ TEM A VERDADE, e nunca que “um dia a poderá vir a conhecer”! Aceite que VOCÊ JÁ POSSUIDOR DO REINO DE DEUS! Admitir estas revelações significa admitir SER FILHO DE DEUS, e, ao mesmo tempo,  significa “se despojar” do “eu” supostamente nascido na matéria!

Trabalhe com os princípios absolutos, crendo serem eles a Verdade consumada! É dessa forma que "a porta se lhe mostrará aberta"!

“Eu sou a porta” – disse Jesus. Faça, igualzinho, este mesmo reconhecimento! Há unicamente um "Eu", uma "Vida", uma "Consciência", um "Universo"! Este "Eu Sou" é a Unidade Perfeita, é o "Eu" que Jesus é, e o "Eu que você é!


sábado, janeiro 06, 2018

PRINCÍPIOS DOS MILAGRES

- Um Curso em Milagres - 


50 PRINCÍPIOS DOS MILAGRES

1. Não há ordem de dificuldades em milagres. Um não é mais “difícil” nem “maior” do que o outro. Todos são o mesmo. Todas as expressões de amor são máximas.

2. Milagres em si não importam. A única coisa que importa é a sua Fonte, Que está muito além de qualquer avaliação.

3. Milagres ocorrem naturalmente como expressões de amor. O amor que os inspira é o milagre real. Nesse sentido, tudo o que vem do amor, é um milagre.

4. Todos os milagres significam vida, e Deus é o Doador da vida. A Sua Voz vai dirigir-te de forma muito específica. Tudo o que precisas saber te será dito.

5. Milagres são hábitos e devem ser involuntários. Não devem estar sob controle consciente. Milagres conscientemente selecionados podem ser guiados de forma equivocada.

6. Milagres são naturais. Quando não ocorrem, algo errado aconteceu.

7. Milagres são um direito de todos; antes, porém, a purificação é necessária.

8. Milagres são curativos porque suprem uma falta; são apresentados por aqueles que temporariamente tem mais para aqueles que temporariamente tem menos.

9. Milagres são uma espécie de troca. Como todas as expressões de amor, que são sempre miraculosas no sentido verdadeiro, a troca reverte às leis físicas. Trazem mais amor tanto para o doador quanto para a-quele que recebe.

10. O uso dos milagres como espetáculos para induzir a crença é uma compreensão equivocada do seu propósito.

11. A oração é o veículo dos milagres. É um meio de comunicação do que foi criado com o Criador. Através da oração o amor é recebido e através dos milagres o amor é expressado.

12. Milagres são pensamentos. Pensamentos podem representar o nível mais baixo ou corporal da experiência, ou o nível mais alto ou espiritual da experiência. Um faz o físico e o outro cria o espiritual.

13. Milagres são tanto princípios como fins, e assim alteram a ordem temporal. São sempre afirmações de renascimento, que parecem retroceder mas realmente avançam. Eles desfazem o passado no presente e assim liberam o futuro.

14. Milagres dão testemunho da verdade. São convincentes porque surgem da convicção. Sem convicção deterioram-se em mágica, que não faz uso da mente e é, portanto, destrutiva; ou melhor, é o uso não-criativo da mente.

15. Cada dia deve ser devotado aos milagres. O propósito do tempo é fazer com que sejas capaz de aprender como usá-lo construtivamente. É, portanto, um instrumento de ensino e um meio para um fim. O tempo cessará quando não for mais útil para facilitar o aprendizado.

16. Milagres são instrumentos de ensino para demonstrar que dar é tão bem-aventurado quanto receber. Eles simultaneamente aumentam a força do doador e suprem a força de quem recebe.

17. Milagres transcendem o corpo. São passagens súbitas para a invisibilidade, distante do nível corporal. É por isso que curam.

18. Um milagre é um serviço. É o serviço máximo que podes prestar a um outro. E uma forma de amar o teu próximo como a ti mesmo. Reconheces o teu próprio valor e o do teu próximo simultaneamente.

19. Milagres fazem com que as mentes sejam uma só em Deus. Eles dependem de cooperação porque a Filiação é a soma de tudo o que Deus criou. Milagres, portanto, refletem as leis da eternidade, não do tempo.

20. Milagres despertam novamente a consciência de que o espírito, não o corpo, é o altar da verdade. É esse o reconhecimento que conduz ao poder curativo do milagre.

21. Milagres são sinais naturais de perdão. Através dos milagres aceitas o perdão de Deus por estendê-lo a outros.

22. Milagres só são associados com o medo devido à crença em que a escuridão possa ocultar. Tu acreditas que aquilo que os teus olhos físicos não podem ver não existe. Isso conduz a uma negação da visão espiritual.

23. Milagres rearranjam a percepção e colocam todos os níveis em perspectiva verdadeira. Isso é cura porque a doença vem da confusão de níveis.

24. Milagres fazem com que sejas capaz de curar os doentes e ressuscitar os mortos porque tu mesmo fizeste a doença e a morte, podes, portanto, abolir ambos. Tu és um milagre, capaz de criar como o teu Criador. Tudo o mais é o teu próprio pesadelo e não existe. Somente as criações da luz são reais.

25. Milagres são parte de uma cadeia interligada de perdão que, quando completa, é a Expiação. A Expiação funciona durante todo o tempo e em todas as dimensões do tempo.

26. Milagres representam a libertação do medo. ”Expiar” significa “desfazer”. Desfazer o medo é uma parte essencial do valor dos milagres na Expiação.

27. Um milagre é uma benção universal de Deus através de mim para todos os meus irmãos. O privilégio dos perdoados é perdoar.

28. Milagres são um caminho para ganhar a liberação do medo. A revelação induz a um estado no qual o medo já foi abolido. Milagres são assim um meio e a revelação é um fim.

29. Milagres louvam a Deus através de ti. Eles O louvam, honrando Suas criações, afirmando que são perfeitas. Curam porque negam a identificação com o corpo e afirmam a identificação com o espírito.

30. Por reconhecerem o espírito, os milagres ajustam os níveis da percepção e os mostram em alinhamento adequado. Isso coloca o espírito no centro, onde ele pode comunicar-se diretamente.

31. Milagres devem inspirar gratidão, não reverência. Deves agradecer a Deus pelo que realmente és. As crianças de Deus são santas e os milagres honram a sua santidade, que pode estar oculta mas nunca perdida.

32. Eu inspiro todos os milagres, que são realmente intercessões. Eles intercedem pela tua santidade e fazem com que as tuas percepções sejam santas. Colocando-te além das leis físicas, eles te erguem à esfera da ordem celestial. Nesta ordem, tu és perfeito.

33. Milagres te honram porque és amável. Eles dissipam ilusões a respeito de ti mesmo e percebem a luz em ti. Assim expiam os teus erros libertando-te dos teus pesadelos. Por liberar a tua mente da prisão das tuas ilusões, restauram a tua sanidade.

34. Milagres restauram a mente à sua plenitude. Por expiar o senso de carência, estabelecem proteção perfeita. A força do espírito não deixa lugar para intrusões.

35. Milagres são expressões de amor, mas podem não ter sempre efeitos observáveis.

36. Milagres são exemplos do pensamento certo, alinhando as tuas percepções com a verdade tal como Deus a criou.

37. Um milagre é uma correção introduzida por mim num pensamento falso. Age como catalisador, quebrando a percepção errônea e reorganizando-a adequadamente. Isso te coloca sob o princípio da Expiação onde a percepção é curada. Até que isso tenha ocorrido, o conhecimento da Ordem Divina é impossível.

38. O Espírito Santo é o mecanismo dos milagres. Ele reconhece tanto as criações de Deus quanto as tuas ilusões. Ele separa o verdadeiro do falso através da Sua capacidade de perceber de forma total e não seletiva.

39.O milagre dissolve o erro porque o Espírito Santo o identifica como falso ou irreal. Isso é o mesmo que dizer que por perceber a luz, a escuridão automaticamente desaparece.

40. O milagre reconhece todas as pessoas como teu irmão e meu também. É um caminho para se perceber a marca universal de Deus.

41. A integridade é o conteúdo perceptivo dos milagres. Assim, corrigem ou expiam a percepção defeituosa da falta.

42. Uma das maiores contribuições dos milagres é a sua força para liberar-te do teu falso senso de isolamento, privação e falta.

43. Milagres surgem de um estado milagroso da mente, ou um estado de prontidão para o milagre.

44. O milagre é uma expressão da consciência interior de Cristo e da aceitação da Sua Expiação.

45. Um milagre nunca se perde. Pode tocar muitas pessoas que nem mesmo encontraste e produzir mudanças nunca sonhadas em situações das quais nem mesmo estás ciente.

46. O Espírito Santo é o mais elevado veículo de comunicação. Milagres não envolvem esse tipo de comunicação, porque são instrumentos temporários de comunicação. Quando retornas a tua forma original de comunicação com Deus, por revelação direta, a necessidade de milagres acaba.

47. O milagre é um instrumento de aprendizado que faz com que a necessidade de tempo diminua. Ele estabelece um intervalo temporal fora do padrão, que não está sujeito às leis usuais do tempo. Nesse sentido ele é intemporal.

48. O milagre é o único instrumento a tua disposição imediata para controlar o tempo. Só a revelação o transcende, não tendo absolutamente nada a ver com o tempo.

49. O milagre não faz distinções entre graus de percepção equivocada. É um instrumento para a correção da percepção que é eficiente, sem levar em consideração o grau ou a direção do erro. É isso o que faz com que ele seja verdadeiramente indiscriminado.

50. O milagre compara o que tu fazes com a criação, aceitando como verdadeiro o que está de acordo com ela e rejeitando como falso o que está em desacordo.


sábado, dezembro 30, 2017

Ano renovado pela Presença

- Joel S. Goldsmith -


O Novo Ano espiritual

Se o início de um ano novo é encarado apenas como o começo de um calendário, não tem qualquer significado e nem suscita qualquer esperança ou boa expectativa, para mim para você ou qualquer outra pessoa. Nesta época sempre se trocam as tradicionais saudações de "Feliz Ano Novo".

Todavia, por bons que sejam os desejos que damos e recebemos, eles não tem o poder de atrair felicidade, paz, harmonia, prosperidade ou vida nova, naquele ano que começa.

No dia de ano novo os jornais vêm cheios de predições para a ano vindouro: horóscopos, estatísticas, opiniões de homens públicos, na tentativa de predizer o que acontecerá. Sabemos que tais prognósticos são muito pessoais e, por isso, cada um chega a conclusões diferentes.

Seria interessante reler as predições feitas no ano anterior para ver quão pouco dessas previsões aconteceram. As predições e desejos não têm poder para trazer qualquer coisa nova à nossa experiência. Não queremos com isto, desanimar vocês. Ao contrário, desejamos encorajá-los, mostrando-lhes que as predições não tem qualquer influência em seu novo ano individual. Queremos que saibam que os resultados do ano vão depender do modo como vocês vão encarar e agir, por vocês mesmos. Vocês é que vão determinar o que será o novo ano!

O Poder de um Indivíduo

Cada pessoa tem uma influência tremenda, não apenas sobre a sua própria vida, como sobre a vida dos que lhe são próximos e queridos. Mais ainda: cada pessoa tem a possibilidade de influenciar o mundo Inteiro. De fato, o curso da história muitas vezes tem sido alterado por uma pessoa.

A eleição de 1960 nos Estados Unidos é um bom exemplo do grande poder que um indivíduo pode exercer. Uns poucos votos mudaram os resultados em alguns Estados e, menos de um por cento determinou o resultado da Nação inteira. Não pensemos, pois, que temos pouco poder para mudar o curso da história de uma nação ou do mundo. Um voto ou uma dúzia de votos pode mudar o curso dos acontecimentos. Não precisamos citar os exemplos mais expressivos, de homens como Moisés, Buda Lao-Tsé, Jesus – para mostrar a enorme influência que exerceram em seu tempo e sobre a posteridade. Ninguém pode prever como, num único ano, uma pessoa ou um grupo de pessoas pode provocar mudanças expressivas num país ou no mundo. Seja qual for a transformação provocada, ela começa com o indivíduo e depois se amplia, afetando a experiência dos outros. Portanto, comecemos individualmente, com você ou comigo. Saibamos que o Novo Ano não tem, em si mesmo, qualquer poder para ser diferente do ano anterior. Em outras palavras, neste ano que começa, à semelhança de todos os anos anteriores, alguns virão a ser mais sadios; outros adoecerão; alguns prosperarão; outros empobrecerão. Terá bênçãos e problemas, mas estes não poderão perturbar igualmente todas as pessoas, nem todas as cidades nem todas as comunidades.

A Consciência é o Segredo

Qual a causa de o novo ano ser diferente para cada pessoa? A resposta, como sempre, pode ser encontrada numa só palavra: "CONSCIÊNCIA". Em nossa natureza, cada qual atinge um estado ou grau de consciência. Seja qual for a nossa experiência externa, ela é sempre determinada por nosso estado de consciência. A palavra "consciência" encerra, portanto, o inteiro segredo da vida individual e coletiva; o segredo da harmonia ou da discórdia.

Em nossos tempos de moço temos pouco ou nenhum controle sobre a nossa consciência, devido ao controle e domínio que nossos parentes mais velhos tiveram sobre nós. Eles nos determinaram um padrão em nossa consciência. Na realidade, nesse tempo fomos um prolongamento da consciência deles – de suas atitudes e defeitos. Além disso, alguns nascem cheios de esperança, paz, alegria e segurança, enquanto outros vêem o mundo com dúvidas, medos e ansiedades.

Todos conhecemos crianças que eram realmente bonitas em seus primeiros anos de vida – um reflexo da consciência de seus pais. Mais tarde, quando passaram a exercer a própria consciência, muitas vezes perdem esta beleza, este atrativo que tiveram em criança: tinham nível inferior de consciência em relação aos pais. Mas quando tem o, mesmo nível, conservam a mesma aparência da infância. Por outro lado, ha também "patinhos feios": pessoas que, ao atingir a fase adulta e assumir sua própria consciência individual, bem superior a dos pais, desabrocham em beleza quando se libertam da influência deles.

Complexos de inferioridade e de pobreza são também muitas vezes impingidos às crianças, pelos pais e, somente quando se libertem dessa influência é que podem florescer e expandir-se.

Como crianças, não somos responsáveis, uma vez que sofremos a influência dos adultos. Só quando adquirimos a idade para tomar as próprias decisões e viver as nossas vidas, libertando-nos das influências da infância (as inconvenientes) ou aproveitando-as (as que foram sadias) é que assumimos a consciência individual e a desabrochamos a nosso modo.

A educação, a formação, é necessária, mas devemos depois adquirir um padrão sadio de pensar, revendo as influências que sofremos na infância e recolhendo apenas a que nos seja edificante.

Poucos indivíduos atingem a liberdade interna suficiente para viver suas próprias vidas, ao atingir sua faze adulta. Usualmente, enquanto estão na terra, continuam a viver a vida dos outros, condicionados pelos padrões de sua comunidade, de sua família, de seus amigos. São incapazes de superar tais influências ambientais porque não foram orientadas no sentido de que cada indivíduo é uma consciência individual, com capacidades próprias, características singulares, dirigido por uma Consciência divina interna, para livrar-se de todas as influências externas, ambientais, da época, da propaganda e começar a viver "na liberdade com que Cristo nos libertou".

A nós, que tivemos a ventura de ser dirigidos a um ensinamento metafísico ou espiritual, é dada a oportunidade de "sair dessas influências" para tornar-nos nós mesmos. Já nas primeiras experiências com os ensinamentos espirituais, aprendemos que existimos como consciências e que Deus é a substância primordial, a Essência e a Lei desta consciência nossa. Portanto, podemos e devemos demonstrar a Graça de Deus, em vez de ficarmos restringidos e condicionados pelas influências físicas, mentais, morais ou financeiras sob as quais nascemos. Em verdade vivemos pela Graça de Deus. Podemos ficar acima de tudo o que se passa no mundo. Nosso bem não deve depender das condições externas favoráveis e nem pode ser despojado pelas circunstâncias adversas ou negativas. Devemos ficar acima da consciência das massas e começar a viver as nossas vidas como indivíduos.

Só então é que chegamos ao novo ano. É inútil nutrir a esperança de que os meses vindouros nos tragam algo de novo, simplesmente porque ainda não os vivemos. Nossa grande e única esperança está na transformação da consciência, que nos trará uma mudança interna. Esta melhora de consciência é que pode tornar o ano NOVO, melhor que no passado, mais rico, mais profundo, mais harmonioso e mais saudável. O novo, em nós, suscita o novo, fora: nas circunstâncias e nas pessoas!

- "A carne milita contra o Espírito e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja de vosso querer" (Gálatas 5:17).

- "Sois o santuário de Deus. Retirai-vos dos ídolos e não toqueis em cousas impuras, e Eu vos receberei". (II Coríntios 6:16.17).

Reconheça a Presença interna

Concordando com a necessidade de transformação de consciência, para tornar o ANO NOVO melhor em todos os sentidos, cabe-nos determinar: “Qual deve ser esse novo estado de consciência?”.

Nossos estudantes sabem que uma consciência imbuída da Verdade sempre expressará condições harmoniosas em sua vida. Sabem que nossa vida é um reflexo do grau de Verdade imbuída em nossa consciência, isto é, a qualidade da Verdade com que nossa consciência está construída.

Se bem que seja verdade que Deus constitui a nossa consciência e, portanto, já possuamos a plena, completa e perfeita consciência espiritual, devemos compreender que essa perfeição é potencial, disponível, demonstrável. Cabe a cada um de nós revelar aos poucos essa perfeição, por um trabalho individual na Verdade; pelo empenho em nossos deveres, até que a Presença seja realizada em plenitude à nossa consciência.

Sem um contínuo reconhecimento desta Presença Interna, ficamos hipnotizados pela consciência de massa e sujeitos a ela. Ficamos sob a lei de acidente: se coincidir de ser um novo ano progressista, de boa saúde, talvez partilhemos disso. Mas se acontecer um ano economicamente depressivo, de epidemia, também disso partilharemos.

O modo de evitar fazer parte da consciência de massa – esse viver robotizado, movido pelas crenças mundanas – é começar e terminar nosso dia em estado de oração. É manter-nos vigilantes na consciência de nossa real identidade, como filhos de Deus, vivendo uma própria vida e não a vida dos outros, assim como não buscamos que os outros vivam nossa vida. Deus é que deve viver em ou como nós.

“Deus, no meio de mim, é poderoso”. Há uma Presença divina que vai diante de mim “para endireitar os caminhos tortuosos” (Is.45:2). Há um Poder e uma Presença espirituais dentro de mim, que é a lei de ressurreição sobre toda a experiência humana, sobre os meus negócios e meu corpo; sobre minha profissão e minha saúde. Há uma influência espiritual que restaura até mesmo “os anos perdidos do gafanhoto”.

Devemos aprender a conscientizar a Presença divina em nós, muitas vezes ao dia – até que se torne uma constante. É isto que nos sobreleva a consciência da massa e nos capacita a viver sob a orientação de Deus, pela Graça. A Lei, a substância, o poder de Deus nos suprem, quando O reconhecemos em todos os nossos caminhos e conservamos nossas mentes focadas nEle. Só isto nos separa da influência da massa e salva-nos da experiência coletiva, capacitando-nos a ser uma Lei em nós mesmos.

Portanto, Sede Vós Perfeitos

Vimos a ser uma Lei sobre nós mesmos a partir do momento em que conscientizamos Deus em nosso íntimo e aceitamos que Ele nos dirija; do momento em que reconhecemos nosso relacionamento como Filhos e Herdeiros dEle, em usufruto de todas as riquezas celestiais. Só pela consciente e compreensiva aceitação desta Verdade é que nos colocamos sob a Lei de Deus. Estamos sob às leis da humanidade, sob a Lei do Karma, sob a Lei de Causa e Efeito. Todas as leis que operam sobre a consciência humana, produzem seus efeitos sobre nós, individualmente, enquanto não atingirmos a realização espiritual e não demonstrarmos a plenitude da harmonia pela Graça.

O mandamento é: “Portanto, sede vós perfeitos como é perfeito a vosso Pai celestial”. Elevando-nos gradualmente à perfeição é que nos separamos das leis e crenças que governam o mundo. Não há meio de um ser humano chegar a ser perfeito enquanto não reconhecer a perfeição potencial de Deus em seu íntimo, como possibilidade de alçar-se de “gloria em glória”, sob a orientação divina, sob Seu Reino e Sua Lei. Só podemos ser perfeitos pela realização da perfeição divina que já está em nós. Este reconhecimento é importante para estímulo e esforço consciente de superação da influencia de massa.

Como dissemos, esta perfeição não se ganha num instante. Devemos começar no ponto em que nós estamos, sem reclamar essa perfeição a nós mesmos, mas “esquecendo-nos das coisas que ficam para trás” e conscientizando que “Eu e o meu Pai somos Um”. Esta unidade governa nossa vida com harmonia. É uma benção, mesmo na pequena medida inicial de nossa capacidade. Ninguém, neste momento, está exprimindo a plenitude de Deus. Mas podemos regozijar-nos se, em alguma medida, já podemos demonstrar a capacidade de separar-nos da consciência de massa; se, em alguma proporção podemos apartar-nos dos erros, doenças e limitações a que estaríamos sujeitos num viver comum.

Não caiamos no mesmo erro de alguns estudantes metafísicos que desanimaram e desistiram do esforço, por não haverem demonstrado harmonia e liberdade interior completas. Ao contrário, alegremo-nos a cada pequeno avanço neste sentido, em nossa experiência, pois é prova de que estamos nos aproximando da mais alta realização, que será seguramente alcançada, se persistirmos neste caminho.

De nada nos vale saber, ler, pensar, que a sintonia com o Divino interno é benéfico. É preciso praticar! É indispensável buscar essa sintonia, para conquistá-la aos poucos. Se não a buscamos, quando a realizaremos?

Nossa vida, neste ano, pode ficar sob a orientação e governo amorosos de Deus, na medida em que aceitarmos e praticarmos esta verdade e nela persistirmos. Não há meio de a Lei ou a Verdade espiritual tocar-nos com a Graça, se não as aceitamos e não as buscamos conscientemente. Depende só de nós: é algo intransferível; ninguém pode fazer por nós, por mais que nos ame e por mais estreitos que sejam os laços que nos unam.

Lembremos: mesmo depois de três anos de íntimo convívio com o Mestre, Judas O traiu; os demais discípulos (com exceção de João) O abandonaram, quando Ele mais precisava deles. Isso mostra do quão convictos devemos estar da Verdade, para abraçá-la e demonstrá-la em todas as circunstâncias.


Passos no Desenvolvimento da Consciência Espiritual

Quando o estudante deste caminho se põe sob a orientação de um Instrutor, é-lhe ensinado que o primeiro e importante passo que deve dar, é o do RECONHECIMENTO CONSCIENTE do governo de Deus; é submeter-se, sincera e voluntariamente à orientação do Divino interno, como Sua Lei e Substância. Deve praticar diariamente a conscientização da Presença interna, recordando-se constantemente dela como inspiração e ajuda; como poder que supera qualquer problema ou desafio na vida exterior.

Com esta prática ele chegará à firme convicção do que disse o Mestre: "Eu venci o mundo". Que desejou o Mestre significar com isto? Que havia alcançado um alto nível de consciência, onde não mais podia ser afetado pela consciência de massa, ou leis mentais e materiais. O comportamento dos governos, a segurança do mundo, o clima, as flutuações econômicas, os alimentos, as crenças reinantes, os eventos todos – nada disso já o podia afetar. Ele havia atingido tal alto nível de consciência que lá só podiam funcionar as leis espirituais.

Os primeiros passos para o alcance desse elevado estado de consciência são:

a) o reconhecimento da Presença interna;
b) o reconhecimento de que esse Espírito interno é o único poder, a única Lei e a única Realidade.

Desde manhã, através do dia, até à noite, somos bombardeados pelas crenças mundanas em poderes materiais, mentais e legais. Devemos estar alertas para não nos deixarmos afetar por elas. Cada um de nós deve conquistar algum grau de reconhecimento de que o único poder real é o espiritual: a Lei, a Vida espiritual, onipresente. As leis materiais e mentais não têm poder – a não ser o poder que lhes damos quando nelas acreditamos. Eis a Verdade que liberta os homens das restrições deste mundo. Este é o principio básico; a serena e firme convicção de que devemos chegar: o poder espiritual é a única realidade!

Deste modo podemos começar a compreender, ainda que em pequena medida, o que disse o Mestre: "levanta-te, toma o teu leito e anda!", "Estende a tua mão!" Jesus quis dizer: Qual o poder que pode existir fora de Deus? Há outro poder que não seja Deus? O erro será um poder? Ou a doença? Ou o dinheiro? Será que existe realmente um poder fora de Deus e de seu amoroso governo? Gradual e seguramente também chegaremos àquele ponto em que podemos dizer: "Levanta-te, toma o teu leito e anda!" – porque aquilo que reconhecíamos como poder ou limitação, fora de nós (em virtude de nossas crenças em dois poderes: o bem e o mal) – já não representam poder e nem limitação para nós. Enquanto aceitamos dois poderes, ficamos sujeitos a eles. Logo, o primeiro passo de realização que devemos fortalecer, é de que há somente uma Presença e um Poder internos, que governam nossa vida e circunstanciais. E esse poder é espiritual. Essa Lei é espiritual. Essa atividade é espiritual. Tudo o mais é desprovido de poder, de presença, de continuidade, de causa e de efeito – porque não tem lei que o sustente. A única Lei é Deus e Deus é amor!

Assim, o Ano Novo é modelado por aquilo que realizamos em nosso íntimo. É verdade que ainda continuamos com nossas atividades, atendendo aos nossos deveres no mundo, cuidando de nossos negócios ou de nossa profissão - seja ela qual for – mas agora de forma diferente: governados pela Consciência crística interna.