"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

sexta-feira, outubro 20, 2017

Sintonizando com o Divino - 1/3


- Núcleo - 

Amigos Divinos,

Permitam-me comentar algo mais sobre a pergunta formulada por Aquele que nesta Representação Divina aparece como o divino personagem Dr. Luiz Mortari, e sobre o comentário dAquele que nesta Representação Divina aparece como o divino personagem Gustavo.

A "separação" não é real, mas aparente! Asim como não há separação entre Ator e personagem, não há separação entre Deus e Homem. O Homem é Deus!

A esse respeito há um texto maravilhoso cujo título é O Homem é feito do Verbo de Deus, extraído do Livro Imagem Verdadeira e Fenômeno (coleção Masaharu Taniguchi – vol. 4, págs 52, 53 e 54). Em certo trecho Masaharu Taniguchi escreve: "Assim, o homem é uma Existência Real Espiritual e não uma presença material. O Mundo do Jissô criado por Deus é perfeito e harmonioso, não existindo qualquer mal. Esse mundo existe aqui, neste momento, mas os cinco sentido carnais não conseguem percebê-Lo. Somente a pessoa que desperta aquilo que poderíamos chamar de percepção do Jissô é que consegue ver mentalmente esse mundo perfeito."

Assim, embora a "separação" não seja real, à título de ênfase e usando a perfeita explanação dAquele que nesta Representação Divina aparece como o divino personagem  Masaharu Taniguchi, podemos dizer que "somente a pessoa que desperta aquilo que poderíamos chamar de percepção do Jissô (que poderíamos chamar de 'percepção da Imagem Verdadeira' ou 'percepção da Consciência do Ser', consegue ver mentalmente [com a 'Mente de Deus' ou 'Consciência do Ser'], esse mundo perfeito."

Com esta percepção [consciencial] torna-se evidente que a Representação [também chamada de "mundo fenomênico" ou "terra"] é uma Representação absolutamente "divina", no sentido de ser extremamente realística para a mente do personagem que estamos representando, mas que revela-se irreal quando percebida pela Consciência.

Aqui vai mais um detalhe importante.

Observação: O que se segue responde a algumas questões pessoais interessantes que estão sendo apresentadas a mim "em off" por integrantes desse nosso grupo, mas que podem certamente beneficiar a todos aqui. Embora sejam questões pessoais, por isso não citarei nomes, elas têm relação com o tema em questão, por isso o que aqui será compartilhado, que são percepções de personagens despertos, pode constituir-se num "tratamento eficaz" de problemas como "sentimento de vazio existencial", "solidão", "ansiedade", etc

Como  solução para estes "problemas" consiste em "abrir os olhos", ou seja, despertar para a Realidade subjacente à Representação, vou compartilhar duas revelações profundas, a primeira delas está registrada no capítulo 9 do livro de João, na Bíblia, e a segunda é uma narrativa de Masaharu Taniguchi sobre o seu despertar.

Sugiro que observem com atenção, deixem-se imergir pelas frases que revelam a Verdade, pois ela está contida de forma sutil no texto que se segue mas que se torna evidente a aqueles que, como o personagem do texto, também querem ver [também querem se despertar, também querem perceber o real].

A passagem bíblica é esta:

"E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: 'Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?'

Jesus respondeu: 'Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus. Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.'

Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo.

Então os vizinhos, e aqueles que dantes tinham visto que era cego, diziam: 'Não é este aquele que estava assentado e mendigava?'

Uns diziam: 'É este.' 
E outros: 'Parece-se com ele.' 
Ele dizia: 'Sou eu.'

Diziam-lhe, pois: 'Como se te abriram os olhos?'

Ele respondeu, e disse: 'O homem, chamado Jesus, fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé, e lava-te. Então fui, e lavei-me, e vi.'

Disseram-lhe, pois: 'Onde está ele?' 
Respondeu: 'Não sei.'

Levaram, pois, aos fariseus o que dantes era cego. E era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos. Tornaram, pois, também os fariseus a perguntar-lhe como vira, e ele lhes disse: 'Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me, e vejo.'

Então alguns dos fariseus diziam: 'Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado.' Diziam outros: 'Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles.'

Tornaram, pois, a dizer ao cego: 'Tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?' E ele respondeu: 'Que é profeta.'

Os judeus, porém, não creram que ele tivesse sido cego, e que agora visse, enquanto não chamaram os pais do que agora via.

E perguntaram-lhes, dizendo: 'É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Como, pois, vê agora?'

Seus pais lhes responderam, e disseram: 'Sabemos que este é o nosso filho, e que nasceu cego; mas como agora vê, não sabemos; ou quem lhe tenha aberto os olhos, não sabemos. Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo; e ele falará por si mesmo.'

Seus pais disseram isto, porque temiam os judeus. Porquanto já os judeus tinham resolvido que, se alguém confessasse ser ele o Cristo, fosse expulso da sinagoga. Por isso é que seus pais disseram: 'Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo.'

Chamaram, pois, pela segunda vez o homem que tinha sido cego, e disseram-lhe: 'Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.'

Respondeu ele pois, e disse: 'Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo.'

E tornaram a dizer-lhe: 'Que te fez ele? Como te abriu os olhos?'

Respondeu-lhes: 'Já vo-lo disse, e não ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir? Quereis vós porventura fazer-vos também seus discípulos?'

Então o injuriaram, e disseram: 'Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés. Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este não sabemos de onde é.'

O homem respondeu, e disse-lhes: 'Nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de onde ele é, e contudo me abrisse os olhos. Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve. Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer.'

Responderam eles, e disseram-lhe: 'Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-no.'

Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: 'Crês tu no Filho de Deus?'

Ele respondeu, e disse: 'Quem é ele, Senhor, para que nele creia?'

E Jesus lhe disse: 'Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo.'

Ele disse: 'Creio, Senhor. E o adorou.'

E disse-lhe Jesus: 'Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos.'

E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: 'Também nós somos cegos?'

Disse-lhes Jesus: 'Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece.'" (João 9:1-41)

Permitam-me evidenciar alguns detalhes importantes do texto, são percepções que emergem do texto. São revelações divinas. Há muitas delas. Vou compartilhar algumas e depois, os que quiserem poderão enfatizar outras.

Vamos a elas!

E, passando Jesus [um personagem desperto e consciente de sua Unidade com Deus], viu um homem cego de nascença.

E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?

Eis um exemplo claro de como a "mente dos personagens" funciona, como ela vê! Esquadrinha as possibilidades e pensa: Se não for isso é aquilo! Então pergunta: "É isso ou é aquilo?"

Contudo, um personagem desperto não está adstrito às possibilidades vislumbradas pela mente. Ele vê além, ele percebe de forma transcendente à visão da mente dos personagens. Nesta passagem Jesus compartilha sua visão do Real. Ele vincula as pessoas a Deus, e não aos personagens da Representação. Por isso revela que aquilo não tem a ver nem com o pecador e nem com os pais do pecador. Isto porque ele sabe que o pecado só é real na Representação, e então usa o fato aparente para ilustrar seu ensinamento divino.

(Permitam-me acrescentar a esse comentário um outro, especialmente para os que seguem o ensinamento de Masaharu Taniguchi, que será objeto do segundo exemplo: Masaharu Taniguchi é o exemplo perfeito de personagem que se despertou! E o que ele ensina é que não há pecado e nem pecadores porque na Realidade – que é o Jissô – todos somos Filhos de Deus.) 

Vejamos então o que Jesus respondeu: "Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus."

Esta resposta certamente surpreendeu a mente dos personagens que perguntaram: "Quem pecou, ele ou seus pais?"

Isto acontece [pensa-se assim] porque no inconsciente está enraizada a certeza [mental] de que todo efeito está associado a uma causa, seja ela física ou espiritual. Assim, os que acreditam no mundo dos espíritos e na reencarnação atribuem efeitos a causas de origem espiritual. Em certo sentido isto é assim enquanto acreditarmos que somos personagens encarnados [seres humanos vivos] ou personagens desencarnados [seres humanos mortos ou espíritos]. Aqui deve-se enfatizar que tanto o mundo material quanto o mundo espiritual compõem a Representação. Quando Masaharu Taniguchi afirma que somos seres espirituais, ele está se referindo ao fato de que tanto os seres humanos [personagens encarnados] quanto os espíritos [personagens desencarnados] são Filhos de Deus, ou seja, seres divinos, seres cuja real identidade é Deus!

Continuando, Jesus respondeu:

"Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus."

Com essa resposta Jesus rompe com o pensamento linear e a lógica da mente dos personagens de seu tempo e essa ruptura pode beneficiar também os personagens do nosso tempo ou de qualquer tempo que estiverem com problemas. Há uma profundidade muito grande na percepção e na ação de Jesus, que veremos a seguir é bastante assertiva! estejam atentos as nuances da ação de Jesus para solucionar o problema apresentado!  

O detalhe a ser observado é que nesta passagem Jesus não apenas ora ao Pai para a solução do problema ou não apenas dá um comando dizendo: "Faça-se conforme vossa fé" ou "Levanta-te e anda". Nesta passagem ele faz algo usando os elementos presentes na Representação! E é isso que pode auxiliar os que hoje estiverem diante de problemas porque a solução do problema pode ser o uso dos elementos presentes na Representação!

Vamos nos aprofundar nessa passagem e ver de que forma Jesus usa os elementos presentes na Representação para que também os que aqui estiverem precisando de ajuda também reconheçam os elementos presentes na Representação e sejam libertos!

Vimos que Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.

É relevante observar que qualquer que seja o problema que estivermos passando podemos atribuí-los à causas físicas ou espirituais, conforme aquilo em que a mente do nosso personagem pensa e acredita. Mas se estivermos diante de uma consciência iluminada a percepção e a abordagem do problema é completamente outra.

Nesta passagem Jesus vê, em vez de causas cármicas atribuíveis ao cego de nascença ou aos pais deste, o campo propício à manifestação das obras de Deus naquele personagem!

Se me permitem, vou lhes contar um fato.

Há alguns anos, estávamos na Índia, o Dr. Luiz Mortari, o Paulo, que é um amigo nosso, e eu. Aquela já era minha quinta viagem ao ashram de Sai Baba, e eu já conhecia a programação que há pra se fazer e daquela vez um dos meus objetivos era fazer o Paulo ir ao Suprabhatam, que é uma cerimônia que se realiza às cinco horas da manhã. Queria fazer o Paulo se levantar às três e meia da manhã pra pegarmos as filas e termos acesso ao interior do mandir, que é onde são entoados os cânticos devocionais do Suprabhatam, pois na primeira vez em que o Paulo esteve lá comigo ele não participou do Suprabhatam e deixou de participar de algo muito bonito. Então eu quis que ele fosse e o despertei às três e meia da manhã para irmos ao Suprabhatam. Resolvemos deixar o Dr. Luiz Mortari dormindo porque ainda era aquele nosso segundo dia lá e ele poderia ir quando assim o desejasse. Mas quando estávamos esperando na fila, Aquele que aparece na Representação como mosquitos... começou a me incomodar... Então achei por bem voltar ao apartamento onde nós três estávamos hospedados para pegar um repelente de mosquitos e voltar pra fila; mas nisso o Dr. Luiz Mortari acordou e resolveu ir ao Suprabhatam conosco.

Então vi que tinha completado um dos objetivos ao retornar ao ashram pela quinta vez, tendo levado meus dois amigos ao Suprabhatam. Assim, fiquei atento a qual seria a experiência divina pela qual fui chamado a estar no ashram mais uma vez... Então logo na manhã do segundo dia comecei a adoecer... Não era essa exatamente a experiência divina que eu estava esperando ter e nem desejando, mas permaneci atento pra apreender o sentido daquilo. Ocorreu que fui ficando dia após dia cada vez pior. Aquele que aparece na representação como o divino personagem Dr. Luiz Mortari me perguntava: "Você quer ser curado?".

Eu nada respondia porque o que queria mesmo era ver onde aquele experiência iria me levar...

Até que certo dia o Dr. Luiz Mortari me disse: "Você precisa ir imediatamente ao hospital!"

E eu peguntei: "Você está achando que eu vou morrer?"

E ele disse: Não acho mais... você deixou passar tempo demais, já antecipei nossas passagens de volta para o Brasil e nós voltaremos amanhã. Já avisei minha esposa e pedi que ela não conte nada a sua, porque o que acontecerá é inevitável."

No que perguntei a ele: "Se sou eu quem vai morrer, porque você está preocupado?"

Em seguida ele agiu de forma assertiva dizendo apenas: "Já chamei um táxi, você precisa ser levado ao hospital do ashram agora!"

E assim fizemos. Fomos ao hospital do ashram. Mas na recepção nos foi informado que meu caso não poderia ser tratado ali e que eu teria que ser levado para um hospital em Bangalore. O problema é que Bangalore fica a uma considerável distância de viagem do ashram. Então o Dr. Luiz Mortari disse algo fantástico. Ele disse: "Silvano, eu sei que você fala com o seu Amigo [referindo-se a Deus], você não tem tempo e nem condições de fazer uma viagem até Bangalore, além do que não faz parte do amor ao próximo dar preocupação para os amigos."

Naquele momento percebi o sentido daquela experiência divina, daquela minha ida ao ashram pela quinta vez, percebi que aquilo tudo "foi assim para que se manifeste em mim as obras de Deus"!

E assim fiz! Percebendo que o divino Se manifestava diante de mim como meu Amigo, Dr. Luiz Mortari, e que meu Amigo se manifestava em mim, como a percepção deste fato, disse ao Dr. Luiz Mortari: "Está certo, vou ouvir o que o meu Amigo tem a dizer."

Então, Aquele que Se manifesta como a Consciência Divina em nós me disse: "Beba água! A água é a maior benção não apenas para o ser humano mas para o planeta."

Assim fiz, segui a orientação divina interna e tomei bastante água. Já na viagem de volta me sentia bem. Quando chegamos ao Brasil fiz os exames e minha saúde estava perfeita!

Eis um bom exemplo em que Deus usa um elemento presente na Representação, nesse caso a água, para solucionar um problema!    

Naquela passagem Jesus também falou com o personagem e lhe disse: "Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo."

E vemos que o personagem ouviu o que lhe foi dito pela consciência divina manifesta em Jesus, seguiu a orientação certamente porque "teve a percepção" de que devia seguir, e está escrito que foi lavar-se no tanque de Siloé (que significa o Enviado).

Vemos que nesta passagem o elemento presente na Representação também foi a água, mas não qualquer água... á água do tanque de Silóe, cujo significado é "o Enviado"...

"Lava-te no tanque de Siloé". Foi uma orientação e bem específica a de Jesus!

Eis um bom exemplo de como Deus faz a parte Dele, e de como nos orienta a fazer a nossa usando aquilo que está ao nosso alcance.

Jesus efetivamente agiu! Ele "fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego."

E orientou de forma específica, dizendo: "Vai, lava-te no tanque de Siloé"

Por sua vez o personagem cego de nascença ouviu e seguiu a orientação! "Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo."

Ainda hoje muitos dizem: Que pena que Jesus viveu há dois mil anos e não o vimos. E outros perguntam: Quem é Jesus?

A todos Jesus deu uma resposta específica e consciencial, de validade atemporal, dizendo: "Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo."

Vou fazer uma pausa para que todos assimilem o que aqui está sendo compartilhado.

Enquanto isso, sugiro uma meditação coletiva entre nós (30 minutos), a fim de podermos sintonizar com o Divino.

Os que quiserem participar devem proceder da seguinte forma: esteja onde estiver, dedique os primeiros dez minutos à leitura de um texto sagrado, que eleve seus pensamentos ao nível das mensagens divinas;

Nos dez minutos seguintes ore! Fale com Deus. Converse como se conversa com um Amigo! Conclua sua oração agradecendo a Deus. Expresse sua gratidão!

Nos dez minutos finais permita-se ouvir Deus... Faça silêncio. Um silêncio contemplativo... Tudo o mais Deus é Quem fará!

Apenas isso.

Amigos, sei Quem todos vocês são! Somos todos faces de Deus refletidas na face da Terra...

Agradeço por compartilhar essa nossa interação divina!

Om Sai Ram!
Namaste!
Gratidão!

terça-feira, outubro 17, 2017

"E vós, quem dizeis que Eu Sou?"
























Chegando a Cesareia de Filipe, Jesus interrogou os seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?”
E eles disseram: Uns, João Batista, outros, Jeremias ou um dos profetas.
Disse-lhes ele: “E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?”
Simão Pedro, respondendo, disse: “TU ÉS O CRISTO, O FILHO DE DEUS VIVO!” 
(Mateus 16: 13-16)


Certa vez, comentando com um cristão ortodoxo sobre esta passagem bíblica, após lhe ter dito que “Cristo é tudo em todos” (Col. 3: 11), e não somente em Jesus, e que a passagem revelava o Cristo, em Pedro, reconhecendo o Cristo em Jesus, ou seja, um lampejo de iluminação vivenciado por ele, este cristão me respondeu:

- “Mas Pedro disse a Jesus que ele era o Cristo! Por que não disse a mesma coisa aos outros? 

E eu respondi: “Porque quem fez a pergunta foi Jesus, e não os outros!” 

A resposta, aprovada por Jesus, segundo suas próprias palavras, veio não de Pedro carnal: “Não foi carne e sangue quem te revelou, mas meu Pai, que está nos céus( Mt. 16: 17).

Seja Jesus, seja João, José, Maria, ou qualquer outro, se for feita a indagação a Deus, a resposta será sempre a mesma: “TU ÉS O CRISTO, MEU FILHO AMADO!” Por quê? 

Porque Deus é tudo! Deus somente reconhece a Si mesmo como onipresença onipotente! 

Esta Verdade está registrada em 1 Samuel 16,7: “O homem vê as aparências, mas o Senhor olha o Coração”.

Deixemos, agora, os cenários bíblicos e passemos à vida prática: 

“E você, quem diz que eu sou?” 

E você, quem diz ser o seu familiar? 

Quem diz ser o seu vizinho, o seu parente, o seu professor ou aluno, o seu governante? 

Algum João Batista? Algum Jeremias? Algum profeta? 

Ou você, acreditando que Deus é tudo, responderá a cada um: “tu és o Cristo, o filho do Deus vivo”?

A Verdade só revela seu Poder quando vivida na prática! 

Jesus só chamou a Pedro de bem-aventurado, pela resposta dada! Os demais estavam só “julgando pelas aparências”, enquanto o “juízo justo” se dá “pelo Coração”.

Antes de sair de casa, pela manhã, sempre se lembre de perguntar a si mesmo: 

“Quem eu digo que eu sou”? 

 “Quem eu digo que aquele ser é?” 

“Quem eu digo que são aqueles que entram em contato comigo”? 

E faça como Pedro: deixe o Pai em você – sua Cristo consciência – dar-lhe a resposta!

Ao ter isto por HÁBITO, mais e mais deixará de julgar a SI MESMO e ao próximo pelas APARÊNCIAS, o que significará, de fato, que VOCÊ estará sendo um bem-aventurado! como deus, sabendo olhar o coração!


domingo, outubro 15, 2017

A percepção da Unidade


- Núcleo - 


Personificações da Verdade,

Na oração sacerdotal, Jesus manifesta a sua vontade e ora a Deus para que todos sejam “aperfeiçoados na unidade”.

Para que alguém possa ser “aperfeiçoado na unidade” esse alguém já tem que ter em si a “visão da unidade”. Só assim poderá ser aperfeiçoado, ou seja, aperfeiçoado naquilo que já tem em si…

O princípio no qual se baseia o ensinamento do Núcleo [que provém do Núcleo, Fonte ou Origem] é precisamente a “visão da unidade”, chamada de “percepção”.

Há aqui dois detalhes essenciais a serem notados:

O que é preciso para ser “aperfeiçoado em algo” é reconhecer que já tem esse “algo” no qual irá apenas “ser aperfeiçoado”! Assim, esse ensinamento sobre a visão da unidade parte da “percepção”.

O segundo detalhe é que esse ensinamento não é centrado em nenhum personagem em especial, não é centrado em nenhuma pessoa, mas sim na percepção compartilhada por essa pessoa…

Sempre houve os que tiveram essa percepção e que a compartilharam!

O que geralmente acontece é que seus seguidores seguem a pessoa [Jesus, Masaharu Taniguchi, Sakyamuni] e não a percepção que por elas foi compartilhada…

Por isso Jesus disse: “Se eu não me for o Consolador não virá a vós”

Ao ensinar: “Conheça a Verdade e a Verdade os libertará”, Jesus estava revelando o que é preciso para sermos verdadeiramente livres. Precisamos conhecer a Verdade!

“Conhecer a Verdade” significa “conscientizar em nós a Verdade”. Para nos tornamos conscientes da verdade precisamos percebê-la! Eis o ponto crucial!

A Verdade é o que é real. E somente o real percebe o real…

Esta é a chave de compreensão do que é real.

O que é real?

Apenas o real!

O que pode perceber o real?

Apenas o que é real.

No ensinamento do Núcleo é usada a metáfora de “Ator e personagem” na qual o ator é real e o personagem é irreal.

Assim, a “mente do personagem” [chamada por Masaharu Taniguchi de “mente em ilusão”] é irreal, e a “Consciência do Ator” [que alguns chamam de “Consciência divina” e na linguagem cristã é chamada de “Mente de Cristo”] é real.

Acaso pode a “mente de um personagem” perceber o real?

Não, apenas a “Consciência do Ator”, que é real, pode perceber o real!
Sendo o personagem irreal, uma ficção, não pode perceber o real.

O ser humano visto por sua própria mente parece ser real…
Contudo, o ser humano não é real…
E sua mente também não é!

Este é o ponto!
A mente do ser humano não é real.

Não sendo real, a mente humana não pode perceber o real.

Apenas o real percebe o real. Deus é real.

Em um personagem aquilo que pode perceber o real é somente a “Consciência do Ator”, que é a real identidade do personagem!

A real identidade do ser humano é Deus!

Somente o real percebe o real.

Somente Deus Se percebe!

Deus Se expressa no ser humano como Consciência.

Assim, apenas a “Consciência” [a “Mente de Cristo”] percebe o real.

Foi com essa “Mente de Cristo” que Simão compartilhou a percepção de que: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo”.

O que pode nos “aperfeiçoar na Unidade” é a conscientização de que a percepção [da “Mente de Cristo”] é válida não só para Simão e não só em relação a Jesus…

Isso é o que eleva os seguidores da pessoa de Jesus à percepção de um verdadeiro apóstolo, aquele que compartilha a percepção de que já tem em si mesmo a “Mente de Cristo”, como o apóstolo que compartilhou a percepção de que: “temos a Mente de Cristo”.

Enfim, perceber o real só é possível com a “Mente de Cristo” em vez de perceber com a “mente em ilusão”, pois a ilusão “verá” a própria ilusão… A percepção da “mente em ilusão” nem mesmo é uma real “percepção”, é uma “pseudo percepção”. A real “percepção” em nós é a “Mente de Cristo”.

Assim, olhando com a “Mente de Cristo”, que é real, veremos o real, veremos a real identidade do ser humano. E para qualquer ser humano que olharmos não mais veremos um ser humano!

Veremos o que viu Simão: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo”!

Na oração sacerdotal Jesus afirma: “Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos em Unidade”.  Assim, para sermos “aperfeiçoados na unidade” precisamos perceber a unidade com a “Mente de Cristo”!

Com a percepção da “Mente de Cristo” seremos perfeitos em Unidade; a Verdade será conscientizada e nos tornará verdadeiros apóstolos de Cristo [o Deus Verdadeiro], pois, como está escrito, os verdadeiros adoradores são os que adoram a Deus em Espírito e em Verdade!

O Espírito de Deus em nós Se expressa como essa “Mente de Cristo”.

Com a “Mente de Cristo”, que é real em nós, perceberemos o real, e a Verdade percebida e compartilhada pelo apóstolo de Cristo que disse: “Cristo é tudo e está em todos” [Colossenses 3, 11] será evidente!

Então, será evidente que Aquele que teve essa percepção e que aparece para a “mente em ilusão” como Jesus é de fato “o Cristo, o Filho do Deus Vivo”!

E será evidente também que Aquele que compartilha essa percepção e que aparece para a “mente em ilusão” como algum “personagem” é na Verdade “o Cristo, o Filho do Deus Vivo”!

E será evidente também que Aquele que desfruta essa percepção e que aparece para a “mente em ilusão” como você, é de fato “o Cristo, o Filho do Deus Vivo”!

Seja livre! Conheça a Verdade de que todos temos a “Mente de Cristo”!

Parta da Verdade para percebê-la, pois só assim ela pode ser percebida.

Parta da “percepção” que uma vez mais está aqui sendo compartilhada.

Perceba, desfrute  e compartilhe!


quarta-feira, outubro 11, 2017

O Reino de Deus está próximo (Osho)


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[...] Desde então Jesus começou a pregar e a dizer: "Arrependei-vos, pois o reino de Deus está próximo". (Mateus 4:17)

[...] E Jesus percorreu toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda espécie de males e de doenças entre o povo.
E sua fama se espalhou por toda a Síria; levaram-lhe então todos os enfermos tomados por diversas doenças e tormentos, os endemoniados, os lunáticos e os paralíticos; e ele os curou.
E foi seguido por grandes multidões da Galileia, das Dez Cidades, de jerusalém, da Judeia e do além Jordão. (Mateus 4: 23-25)


Uma vez pediram a um rabino que resumisse toda a mensagem da Bíblia. Ele respondeu que toda a mensagem era muito simples e curta. É Deus gritando para o homem: "Entronize-me!". Foi isso que aconteceu naquela manhã no rio Jordão. Jesus desapareceu, Deus foi entronizado. Jesus esvaziou a casa, Deus entrou. Ou você existe, ou Deus existe – os dois não podem coexistir. Se você insiste em existir, então abandone a busca de Deus; ela não se realizará. Dessa forma, a busca é impossível, absolutamente impossível. Se você estiver presente, então Deus não pode estar: a sua própria existência, a sua própria presença, é a barreira. Você desaparece... e Deus está. Ele sempre esteve.

O homem vive como uma parte, separado do todo. Ao redor de si, ele cria ideias, sonhos, o ego, a personalidade, e pensa em si mesmo como uma ilha, desconectado do todo, sem relação com o todo. Você já conseguiu ver algum relacionamento entre você e as árvores? Já conseguiu ver algum relacionamento entre você e as pedras? Já conseguiu ver algum relacionamento entre você e o mar? Se não conseguiu, então jamais chegará a ver o que é Deus. Deus, a divindade, não é nada mais que o todo, a totalidade, a unidade. Se você existe como uma parte separada, desnecessariamente existe como um mendigo. Você poderia ter sido o todo. E mesmo quando pensa que é separado, você não é – isso é apenas um pensamento na mente. O pensamento não está enganando Deus: está enganando somente você.

Naquela manhã no rio Jordão, quando João Batista iniciou Jesus, ele matou Jesus completamente. Jesus desapareceu. E naquele momento de vazio – aquilo que Buda chama de shunyata, vacuidade – os céus se abriram e o espírito de Deus, como uma pomba, desceu sobre Jesus, iluminando-o. Isto é apenas simbólico: Jesus morreu, Deus foi entronizado. Isto é o que no zen se chama de uma transmissão especial, fora das escrituras. Nenhum conhecimento foi transmitido por João Batista a Jesus, nenhuma escritura foi transmitida – nem mesmo uma palavra foi pronunciada. Nenhuma dependência de palavras ou letras, apenas um apontar direto para a alma do homem, uma penetração na natureza do homem – a obtenção do estado búdico.

Os cristãos perderam este pormenor: não foi conhecimento aquilo que foi transmitido de João Batista para Jesus; foi uma visão. Não foi verbal, foi existencial. Foi mais um conhecer do que um conhecimento. Os olhos foram transferidos, uma nova maneira de ver o mundo e estar no mundo foi transferida, uma transmissão especial, fora das escrituras. Eis porque Jesus imediatamente sentiu-se uno com Deus, mas banido dos Judeus. Os judeus são o "povo do livro". "Bíblia" não quer dizer nada além disso; simplesmente significa "livro". Os judeus são o "povo do livro" – o povo que tem acreditado tremendamente nas escrituras, que tem amado e confiado nas escrituras durante séculos.

Jesus tornou-se uno com Deus, mas imediatamente foi banido por sua própria tradição. Ele tentou de mil e uma maneiras permanecer parte da comunidade, mas foi impossível. Ele não podia fazer parte das escrituras, não podia fazer parte da tradição. Algo do além entrara nele, e, quando Deus entra, todas as escrituras se tornam inúteis. Quando você mesmo vem a conhecer, todos os conhecimentos se tornam lixo. 

Essa foi a luta entre Jesus e os rabinos. Eles tinham conhecimento, Jesus tinha o saber – e estes nunca se encontram. O homem do saber é rebelde, o homem do saber tem seus próprios olhos: ele diz o que quer que veja. O homem de conhecimento é cego: ele carrega a escritura, e nunca olha ao redor; segue apenas repetindo as escrituras. O homem de conhecimento é mecânico, não tem nenhum contato pessoal com a realidade.

Poucos dias atrás, eu estava lendo sobre um psiquiatra de muito prestígio em Nova York. Numa primeira consulta, ele disse ao novo paciente:

- Estou muito ocupado; na verdade, estou ocupadíssimo. Será que você pode me ajudar? A primeira entrevista é sempre de um lado só: você vai me dizer tudo o que quiser me dizer. Temos aqui um gravador. Se eu puder escutar e estudar todo o material mais tarde, num momento mais conveniente, será de grande ajuda. Você pode ligar o gravador e falar o que quiser... Diga tudo o que gostaria de dizer para mim e, mais tarde, eu escutarei.

O psiquiatra perguntou: - Está disposto?

O homem disse: - É claro. Está tudo perfeitamente certo.

O gravador foi ligado e o psiquiatra saiu da sala, mas dois minutos depois viu o homem deixando o consultório. Correu atrás dele e disse:

- Tão cedo? Você não deve ter falado muito no gravador!

O homem respondeu:

- Olha, também sou um homem muito ocupado. Na verdade, mais ocupado que o senhor. E o senhor não é o primeiro psiquiatra que consulto. Quando o senhor voltar para a sala, verá bem ao lado do seu gravador o meu pequeno ditafone falando com o seu gravador.

O conhecimento é exatamente assim. Ninguém está presente: ditafones falando com gravadores. Sua mente é apenas um gravador e as escrituras são os velhos ditafones – um antigo meio, mas ainda assim a mesma coisa. Alguém disse algo, ficou gravado ali. Mais tarde você lê e aquilo fica gravado no seu próprio gravador – mas não há nenhum toque pessoal.

O saber é pessoal, o conhecimento é mecânico. Através de uma abordagem mecânica, você nunca pode descobrir a realidade, a verdade. Será um caso morto. Você conseguirá muita informação, mas nunca atingirá a transformação. Você pode vir a saber muitas coisas, mas jamais saberá o principal: o ser que você é e o ser que o circunda – e o que o circunda é o mesmo que está dentro de você. Um profundo contato pessoal é necessário.

Naquela manhã no rio Jordão, Jesus entrou em contato pessoal com o divino. João Batista o iniciou para ser um nada.

Quando você vem a mim, não está vindo a um homem que sabe muito; está vindo a um homem que tem muito nada dentro de si. Eu posso compartilhar esse nada com você. No dia em que você se sentir pronto para compartilhar esse nada comigo, será iniciado.

Você pode estar aqui de dois modos. Você pode ser um estudante. Então, está relacionado comigo de um modo mecânico; você coletará informações de mim – o que nunca era pra ser feito. A partir de mim, você começará a saber de muito mais coisas. Isso é um vício. O ego pode se sentir mais forte, mas a alma se tornará cada vez mais e mais empobrecida. Ou você pode ser um discípulo e não um estudante. Então, você compartilha do meu nada. Então, pouco a pouco, você desaparece completamente; não há ninguém dentro de você que saiba – e esse ser ninguém é o único modo de conhecer. Nesse nada, seu coração está aberto; nesse nada a ilha desaparece e você vira o continente. Nesse nada, a separação desaparece: você se torna o todo. Então, o todo existe através de você.

O rabino que disse "Deus gritando ao homem: 'Entronize-me!'" estava certo. Jesus, Krishna, Maomé, Buda, Lao-Tsé, todos são gritos de Deus para o homem: Entronize-me!"...

Imediatamente Jesus começou a pregar.

Desde então Jesus começou a pregar...

Imediatamente! O conhecimento precisa de tempo, o sabe é imediato. Se eu quiser compartilhar o meu conhecimento com vocês, levará muito tempo, mas se eu quiser compartilhar o meu nada com você, o tempo não é necessário. Imediatamente, agora mesmo, é possível. O tempo não é uma exigência absolutamente, acontece numa fração de segundo.

Sempre que leio esse Evangelho, a coisa que me atinge imediatamente é esta: no momento em que Jesus foi batizado e os céus se abriram e o espírito de Deus desceu como uma pomba, ele saiu do rio, foi para a margem – uma multidão estava se juntando – e ele começou a pregar. Antes disso, ele nunca havia pronunciado uma única palavra; antes disso, não tinha ensinado nada a ninguém.

É assim que deve ser. Um professor pode continuar ensinando sem saber, mas não é um mestre. Professores há muitos; mestres há poucos. Um mestre é aquele que ensina através de seu saber e u professor ensina através de seu conhecimento. Um professor prepara-se durante anos, então ele pode ensinar. Mas um mestre, em um único momento de coragem, em um único momento de ousadia, em um único momento de um salto para dentro do desconhecido, torna-se capaz de ensinar. Uma vez que você saiba em você, esse próprio saber quer ser compartilhado; uma vez que você esteja cheio de graça, essa própria graça começa a fluir, começa a buscar o coração. Uma vez que você seja, você já está no caminho a ser compartilhado por muitos.

Jesus saiu do rio:

Desde então Jesus começou a pregar e a dizer: "Arrependei-vos, pois o reino de Deus está próximo"...

João Batista também estava dizendo a mesma coisa. Jesus podia ter dito a mesma coisa só por ter ouvido João Batista – ele era um pregador bastante conhecido, grandes multidões iam visitá-lo, um grande número de pessoas costumava esperar por ele, para ouvi-lo. Todo mundo sabia que sua mensagem era esta: "Arrependei-vos, pois o reino do céu está próximo". Jesus deve ter sabido disso, mas ele nunca havia pronunciado aquelas palavras antes.

Pronunciar palavras tão elevadas sem conhecer é um sacrilégio, é uma traição. Jamais pronuncie tais palavras a menos que você mesmo conheça, porque você pode destruir a mente dos outros. Você pode encher a mente das pessoas com seu lixo... se você não conhece, e continua dizendo coisas às pessoas, como acontece em todo mundo...

Vá e veja os sacerdotes nas igrejas, nos templos, nas mesquitas – eles continuam ensinando, continuam na pregação, sem conhecerem nada, seja o que for que estejam dizendo. Eles não estão cientes do que estão fazendo, absolutamente – ditafone! Eles aprenderam, mas não conheceram. Eles estudaram, ms não têm olhos próprios; seu coração está tão morto como o daqueles para quem estão pregando. Sua mente pode ser mais refinada, mas seu coração está tão doente quanto o de qualquer pessoa.

Jesus nunca pronunciara essas palavras antes. Ninguém tinha ouvido falar desse homem, Jesus, antes disso. Ele vivia na oficina de seu pai; ele trabalhava, ajudava seu pai. De repente, uma nova qualidade de homem, um novo homem, completamente novo, nasceu. O batismo é um nascimento.

Desde aquele exato momento ele começou a pregar e a dizer: "Arrependei-vos..." – porque agora ele podia pronunciar aquelas palavras com autoridade. Não eram as palavras de João Batista que ele estava repetindo; eram suas próprias palavras. Ele se arrependeu e ficou sabendo o que elas queriam dizer. Não arem palavras fúteis, palavras de papagaio; eram palavras grávidas, vivas. Ele tocou a realidade daquelas palavras, viu o mistério delas.

A verdadeira palavra em hebraico para "arrepender" é teshuvah. Teshuvah significa "retornar", e também "responder". Ambos os significados são belos. Retornar a Deus é responder a ele. Esta é uma das coisas mais belas do judaísmo, uma das maiores contribuições do judaísmo ao mundo. Isto tem de ser compreendido, porque sem isto você jamais será capaz de compreender Jesus.

O judaísmo é a única religião do mundo que diz que não somente o homem está em busca de Deus, mas Deus também está em busca do homem. Ninguém mais no mundo acredita nisso. Há hindus, muçulmanos e outras religiões e elas todas acreditam que o homem está em busca de Deus. O judaísmo acredita que Deus também está em busca do homem. E deve ser assim mesmo, se ele é um pai. Deve ser assim. Ele é o todo, e, se uma parte se extraviou, o todo – por pura compaixão – deve procurar a parte.

O judaísmo tem uma beleza própria. O homem buscar Deus é apenas como tatear na escuridão. A menos que Deus o esteja procurando, não parece haver nenhuma possibilidade de algum encontro. Como você o buscará, ele que é completamente desconhecido? Você não sabe o endereço – para onde dirigirá suas preces? Aonde irá, o que fará? Você pode apenas tatear, rogar e chorar; as lágrimas podem ser sua única prece. Um profundo desejo – mas como realizá-lo? Você pode queimar com ele, mas como chegar lá? O judaísmo diz: o homem pode buscar, mas não encontrará, a menos que Deus assim queira.

Deus está ao alcance, mas você não pode agarrá-lo. Você pode estender suas mãos – ele está ao alcance, mas não pode ser agarrado. Ele está ao seu alcance, porque ele também está buscando por você. Ele pode encontrá-lo imediata e diretamente, ele sabe exatamente onde você está. Mas ele não pode buscá-lo, a menos que você esteja na busca. Ele só pode busca-lo quando você está buscando, quando você está fazendo tudo o que pode ser feito, quando você não está escondendo nada, quando sua busca é total. Quando sua busca é total, imediatamente o céu se abre e o espírito de Deus desce em você. Ele está esperando, esperando com uma profunda ânsia de encontrá-lo.

Isso deve ser assim, porque a existência é um caso de amor, uma brincadeira de esconde-esconde, um jogo. A mãe está brincando com o filho e se escondendo. A mãe está esperando o filho e, se o filho não vier, a mãe começará a procurá-lo. Mas Deus lhe dá total liberdade. Se você não quiser buscá-lo, ele não interferirá, não será um intruso; se você quiser buscá-lo, somente então, ele baterá à sua porta. Se você tiver convidado, somente então o convidado vem. O convidado pode estar apenas esperando para bater à porta; só é necessário seu convite. Caso contrário, ele pode esperar pela eternidade, não há pressa. Deus não tem nenhuma pressa.

"Arrependei-vos, pois o reino de Deus está próximo." Teria sido absolutamente diferente se a palavra não fosse traduzida como "arrepender", se fosse deixada de acordo com o termo original "retornar".Como em Patanjali, quando se refere nos Yogas Sutras ao termo pratyahar, que significa "retornar a si mesmo". É também o que Mahavira quer dizer com pratikraman, "voltar-se para dentro".

A palavra teshuvah tem um significado totalmente diferente de "arrepender-se". No momento em que você diz "arrepender", parece que o homem é um pecador: implica em uma profunda condenação. Mas se você diz "retornar", não há nenhuma questão de pecado, não entra nenhuma condenação. Simplesmente diz que você foi muito longe, foi brincar longe demais – por favor, volte. O filho está brincando fora de casa e a noite está caindo. O sol está se pondo e a mãe chama: "Por favor, volte para casa". Uma qualidade totalmente diferente, uma conotação totalmente diferente. Não há nenhuma condenação nisso, só um profundo amor que chama: "Retorne!".

Ouça a frase, quando eu digo assim: "Retorne, pois o reino dos céus está próximo." Toda condenação, todo pecado, todos os absurdos que criaram culpa no homem desaparecem: apenas com a mudança de uma única palavra traduzida corretamente. Uma única palavra pode ser significativa. Todo o cristianismo desaparecerá se, em vez de "arrepender", a tradução for retornar. Todas as igrejas, o Vaticano, tudo desaparecerá, porque eles dependem do arrependimento.

Se é uma questão de "retornar" – e vocês não estão condenados e não cometeram nenhum pecado – então... a culpa desaparece. E, sem culpa, não pode haver igrejas; sem culpa, os padres não podem viver. Eles exploram a culpa, eles o fazem sentir-se culpado – este é o traçado secreto deles. Uma vez que você se sinta culpado, precisa buscar a ajuda deles, porque eles pedirão perdão por você, rezarão por você; ele sabem como rezar. Eles estão num relacionamento mais profundo com Deus. Eles o defenderão, persuadirão a Deus em seu favor e lhe mostrarão o caminho para não ser um pecador novamente, para ser virtuoso. Eles lhe darão os mandamentos: faça isso e não faça aquilo.

Todas as igrejas do mundo se fundamentam na palavra "arrependimento". Mas, se é somente uma questão de retornar, o padre não é necessário; você pode retornar para casa. Não é uma questão de condenação: não é preciso ninguém para purificá-lo; você nunca esteve errado. Você tinha ido um pouco longe demais, mas não há nada de errado nisso. Na verdade, não teria acontecido dessa forma, se Deus não estivesse querendo que você fosse tão longe assim. Deve haver algo nisso: esse afastar-se deve ser um modo de retornar. Porque quando você foi longe demais e depois volta para casa, pela primeira vez você percebe o que é o lar.

Dizem que os viajantes em terras estrangeiras percebem pela primeira vez como é belo o lar. É difícil perceber enquanto você está em casa: tudo é tomado como garantido. Mas quando você vai embora, agora, tudo se torna difícil. Você não está mais em casa, não pode tomar nada como garantido. Há mil e uma inconveniências, desconfortos – e não existe ninguém ali para cuidar de você, você tem de cuidar de si mesmo. Ninguém se importa: você anda num mundo estranho, é um estrangeiro.

Em contraste, de repente, pela primeira vez surge o significado do lar. Antes era só um lugar para se viver nele, agora é um lar. Agora você sabe que casas são diferentes de lares. Uma casa é apenas uma casa; um lar não é apenas uma casa, é algo mais – mais amor. Talvez seja necessário que o homem se extravie um pouco – saia da trilha, entre na vastidão do deserto. Desse modo, em contraste, voltar para casa torna-se significante, significativo.

Eu digo "retorne", não digo "arrependa-se". Jesus nunca disse "arrependa-se". Ele teria rido da palavra, porque a coisa toda foi corrompida por essa palavra. As igrejas sabem muito bem que a palavra é uma tradução errada, mas continuam insistindo nela, porque ela se tornou o seu fundamento. Retornar é tão simples: depende de você e de seu Deus; nenhum mediador é necessário.

Desde então Jesus começou a pregar e dizer: "Arrependei-vos, pois o reino de Deus está próximo."...

Outro significado da palavra hebraica teshuvah é "responder". Seu retorno é sua resposta. Resposta a quê? Resposta ao grito "Entronize-me!". A resposta ao apelo que Deus está fazendo a você: "Retorne para casa".

Esta é novamente uma bela contribuição do judaísmo. Cada religião contribui com alguma coisa original. O judaísmo diz: "Deus faz o apelo, o homem responde".

Comumente, outras religiões dizem que o homem faz o apelo e Deus responde. O judaísmo diz: "Não, Deus faz o apelo, o homem responde."

No momento em que você responde, esse é o retorno. No momento em que o filho diz: "Sim, estou indo" – ele já está no caminho. Você ouviu o apelo? Se não o ouviu ainda, como será capaz de responder?

As pessoas vêm a mim e perguntam:

– Onde está Deus?

Eu digo:

– Esqueçam-se de Deus; vocês já ouviram o chamado?

Elas perguntam:

– Que chamado?
– O chamado que Deus faz!

Se você não ouviu o chamado, não pode saber onde Deus está. No momento em que você ouve o chamado, a direção fica clara – no momento em que você ouve o chamado, que surge no seu ser, no âmago mais profundo do seu ser, ele se torna uma busca constante no seu coração: Quem é você? Por que está aqui? Por que continua existindo? Para quê?

Se o chamado surge em seu coração, você saberá que é Deus, porque quem está fazendo a pergunta? Você não pode fazê-la. Você está inconsciente, num sono profundo – não pode perguntar. Em algum lugar mais profundo dentro de você, Deus está fazendo a pergunta: "Quem é você?". Se você ouviu a pergunta, sabe a direção. E a resposta somente pode ser: "Retorne! Siga esta direção, volte para casa".

Só que suas perguntas têm sido falsas. Você não as ouviu dentro de si: outra pessoas as ensinou a você. Suas perguntas são falsas e, então, suas respostas se tornam falsas. Você aprendeu a perguntar com os outros, aprendeu a resposta com os outros. E você mesmo permanece uma falsificação.

Certa vez fui com uma migo visitar o Taj Mahal. Ele era um bom fotógrafo. Não tinha tempo para ver o Taj Mahal, e o via através das lentes da câmera. Eu lhe disse:

– Nós viemos aqui para ver o Taj Mahal.

Ao que ele me respondeu:

– Esqueça isso. Ele é tão lindo que eu prefiro levar as imagens para vê-las em casa!

Mas aquelas figuras estão disponíveis em todo lugar – qual é a necessidade, então, de vir ao Taj Mahal? A visão direta é perdida.

O primeiro filho de meu outro amigo nasceu. Ele estava sentado com o garoto, um menino pequeno – lindo. Eu lhe disse:

– Que lindo!

Ele me respondeu:

– Isto não é nada... você precisa ver as fotografias!

Falsificação... Tudo se torna cada vez mais e mais indireto. Então, perde-se o toque de realidade, a concretude, a clareza. E a coisa vai ficando distante, bem distante. 

A resposta só pode ser verdadeira se a pergunta foi realmente ouvida. Todo dia encontro alguém que diz: "Quero meditar, quero buscar, mas nada acontece!". A pessoa reclama como se a existência não tivesse sido justa com ela – "Nada acontece!". Mas olho dentro dos olhos dela: seu desejo é falso. Em primeiro lugar, ela nunca quis meditar; veio como parte de um grupo. Ou estava de férias e pensou: "Vamos ver o que há por lá". Não está acontecendo nada. Nada pode acontecer, porque a meditação, oração, Deus, não são questões técnicas. Você pode aprender a técnica, mas nada acontecerá, a menos que o chamado tenha sido ouvido primeiro, a menos que tenha se tornado um profundo desejo em você, pelo qual pode arriscar a sua vida; a menos que tenha se tornado uma questão de vida e morte; a menos que tenha penetrado no centro do seu ser – a menos que tenha se tornado uma dor e uma angústia profundas. Se o chamado é ouvido, então a resposta...

Podemos traduzir esta frase de dois modos: "Desde então Jesus começou a pregar e a dizer: 'Arrependei-vos,' pois o reino de Deus está próximo". Ou podemos traduzir assim: "Retorne, pois o reino de Deus está próximo". Ou "Responda, pois o reino de Deus está próximo".

E o reino de Deus está sempre próximo, é da natureza dele. Não tem nada a ver com a época de Jesus: agora mesmo isso é verdade, exatamente como era então. Era verdadeiro antes de Jesus e será sempre verdadeiro. O reino de Deus está sempre à mão – tateie. As mãos dele estão sempre procurando por você, mas você não está tateando. Responda, retorne e o reino está disponível, só que você não está pronto para ir na direção dele. Você tem medo de perder algo que não tem, e por causa desse medo não pode atingir aquilo que tem estado sempre ao seu dispor.

[...] E Jesus percorreu toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda espécie de males e de doenças entre o povo... (Mateus 4:23)

Isto tem de ser compreendido sob uma luz totalmente nova – e não do jeito que os cristãos tentaram, mas sob uma luz totalmente nova, a nova luz que a ciência moderna trouxe para o fenômeno da enfermidade.

Uma doença, qualquer enfermidade, surge primeiro na mente e depois se dirige para o corpo. Pode levar um longo tempo para chegar a corpo – trata-se de uma longa distância. Você não tem consciência dela quando ela está na mente; você só se torna ciente quando ela explode nas raízes do corpo. Você sempre sente a doença no corpo, mas ela se origina sempre na mente. Você não está ciente dela então; assim, você nada pode fazer quanto a isso. Mas quando ela vem para o corpo, então, naturalmente, você começa a procurar um médico, sai em busca de auxílio. O médico, vendo-a no corpo, começa a tratá-la no corpo. Ela pode ser tratada no corpo - mas então alguma outra doença surgirá, porque o tratamento não atingiu a fonte, o lugar das causas. Você muda o efeito, mas não a causa.

Se a mudança puder acontecer na mente, então a doença desaparecerá do corpo imediatamente. É isso que a moderna pesquisa sobre hipnose prova: que toda doença, pelo menos no princípio, pode ser transformada, mudada, ela pode sumir se a mente for mudada. E o inverso também é verdadeiro: se a mente for convencida pela hipnose, então a doença pode ser criada também.

Dois ou três dias atrás, alguém me enviou um artigo de profunda significância. Um homem – um médico, um médico na Califórnia – tratou muitos pacientes de câncer apenas através da imaginação. Esta é a primeira chave que abre a porta... E não só um paciente, muitos.

O que ele faz: ele simplesmente pede aos pacientes que imaginem. Se eles têm câncer de garganta, ele lhes diz para relaxar e imaginar que toda a energia do corpo se move para a garganta e o tumor vai sendo atacado pela própria energia deles, exatamente como flechas vindas de todos os lados, movendo-se em direção à garganta e atacando a doença. Dentro de três, quatro ou seis semanas o tumor simplesmente desaparece sem deixar um traço atrás. E o câncer é considerado incurável!

O câncer é uma doença moderna: ele se deve ao estresse, à tensão e à ansiedade da vida. Não há, na verdade, até agora, nenhuma cura para ele através do corpo. Mas se o câncer pode ser tratado através da mente, então tudo pode ser tratado através da mente.

Os milagres de Jesus aconteceram porque as pessoas confiavam muito. Uma vez, enquanto Jesus caminhava, uma mulher, uma mulher muito pobre, tentava se aproximar dele, e estava muito apreensiva, temendo que Jesus não a pudesse tratar, porque ele estava, como sempre, cercado por uma pequena multidão... A mulher pensou consigo mesma: "Basta um toque na roupa de Jesus, por trás..." E ela se curou.

Jesus olhou para trás e a mulher começou a agradecê-lo. Ela caiu a seus pés, em gratidão. Ele disse: "Não seja grata a mim, seja grata a Deus. Sua fé a curou, não eu".

O mundo era cheio de confiança; as pessoas estavam enraizadas na fé. Então, apenas a ideia de que "se Jesus tocar em meus olhos, eles serão curados e se abrirão", e a própria ideia se torna a raiz causal da cura. Não é que Jesus cure: se você for cético, então Jesus não pode fazer nada, ele não será capaz de curá-lo.

Eu estive lendo uma história.

Um dia Jesus estava fugindo de uma cidade. Um camponês o viu correndo e lhe perguntou:

– O que houve? Para onde o senhor está indo?

Mas Jesus estava com tanta pressa que foi adiante sem responder. Então o camponês o seguiu, conseguiu pará-lo por um instante e disse:

– Por favor, me diga, pois fiquei muito curioso. Se não me disser, vou segui-lo sem parar. Por que está correndo? Para onde? De quem o senhor está fugindo?

Jesus respondeu-lhe:

– De um tolo.

O camponês começou a rir e disse:

– O que o senhor está dizendo!? Eu sei que o senhor já curou gente cega, já curou gente estava morrendo. Já ouvi até dizer que o senhor curou gente que estava morta! O senhor não pode curar um tolo?

E Jesus respondeu:

– Não. Eu tentei, mas não posso, porque ele é um tolo e não acredita. Já curei todos os tipos de doença e nunca falhei, mas com esse tolo não foi possível. Ele vive o tempo todo atrás de mim dizendo: "Cure-me!" Tentei de todas as formas possíveis mas não adianta. É por isso que estou fugindo da cidade.

Um tolo não pode ser curado... e um tolo não pode ser hipnotizado. De modo geral, acredita-se que as pessoas muito inteligentes não podem ser hipnotizadas. Isso é absolutamente errado. Somente os tolos, os idiotas, os loucos, não podem sem hipnotizados. Quanto maior é a inteligência, maior é a possibilidade de ir fundo na hipnose – porque na hipnose sua confiança é necessária; o requisito básico é a sua confiança, o requisito básico é a sua cooperação, e um idiota, um louco, não coopera e não confia.

Jesus podia fazer milagres. Esses milagres eram simples; aconteciam porque as pessoas confiavam. Se você confia, o interior da mente começa a funcionar, espalha-se por todo o corpo e muda tudo. Mas se você não confia, então nada acontece. Até mesmo a medicina comum o ajuda porque você confia nela. Já observou que, sempre que um novo medicamento é criado, ele funciona muito bem de seis meses a dois anos – as pessoas são afetadas por ele. Mas depois de seis, oito, dez meses, ele não funciona tão bem. Os médicos têm se interrogado: "o que acontece?"

Sempre que um novo remédio é inventado, você acredita nele mais do que no velho medicamento. Agora você sabe que a panaceia está ali e "ela vai resolver". E ela resolve!

A confiança num novo medicamento, numa nova descoberta, ajuda. Eles falam sobre o medicamento nó rádio, na TV, nos jornais, e cria-se um clima de confiança e esperança. Mas depois de alguns meses, depois que muitos já tomaram aquele remédio – e alguns tolos também o tomaram e não puderam ser ajudados –, a suspeita surge, "porque aquele homem tomou o remédio e nada aconteceu!". Esses tolos, então, criam o anticlímax, e depois de algum tempo o remédio perde seu efeito.

Ainda mais do que o remédio, o médico ajuda se você confia nele. Você já observou que quando está doente e o médico chega, se você confia nele, sente um alívio só com a sua chegada? Ele ainda não lhe deu nenhum remédio, apenas examinou o seu corpo – tirou a pressão, isso e aquilo – e você já se sente 50% melhor. Chegou um homem em quem você confia. Agora você não precisa carregar o peso sozinho; pode deixá-lo com ele e ele verá o que fazer. Se você não confiar no médico, ele não poderá fazer nada.

Na medicina, eles dão o nome de placebo a um certo remédio. É só água, farinha, ou algo que não tem nada a ver com a doença. Mas se ele for dado a você por um médico em quem você confia, aquilo ajuda tanto quanto o remédio real; não há diferença.

A mente é mais poderosa do que a matéria; a mente é mais poderosa do que o corpo.

[...] E Jesus percorreu toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda espécie de males e de doenças entre o povo. E sua fama se espalhou por toda a Síria; levaram-lhe então todos os enfermos tomados por diversas doenças e tormentos, os endemoniados, os lunáticos e os paralíticos; e ele os curou. E foi seguido por grandes multidões da Galileia, das Dez Cidades, de jerusalém, da Judeia e do além Jordão. (Mateus 4: 23-25)

Jesus era mais um curandeiro do que um professor. Um curandeiro não apenas do corpo, não apenas da mente, mas da alma também. Ele era um médico, um médico da alma. É como todo mestre tem de ser.

Você está dividido interiormente, está fragmentado, não é um todo. Se você se tornar inteiro, está curado. Se as tensões em relação ao futuro e as tensões acumuladas do passado desaparecerem de dentro de você, você será curado, suas feridas desaparecerão. Se você puder estar no presente – no Agora –, estará inteiro, completamente vivo, totalmente vivo, e um profundo regozijo acontecerá em você.

Jesus não é um filósofo transmitindo algum dogma para as pessoas. Ele está tentando ensinar confiança, e, se a confiança acontece, tudo se torna possível. E ele diz: "A fé remove montanhas". Pode não ser as montanhas que existem no exterior, mas as montanhas de ignorância, as montanhas de feiura, as montanhas de inconsciência que existem no seu interior. Ele não tem um credo, um dogma. Ele está, na verdade, desprendendo de si uma força curativa. Todo seu esforço é ajudá-lo a retornar para Deus. Eis porque ele disse: "Não agradeça a mim. Agradeça a Deus".

E ele também diz: "Foi a sua fé que o curou". Nem mesmo Deus pode curar você – só a sua fé. A insistência de Jesus é na fé. E lembre-se da diferença entre fé e crença: crença é uma ideia; fé é uma realidade total, uma reverência pelo todo. Crença é da mente; fé é da sua totalidade.

Quando você acredita em Deus, você acredita num Deus do filósofos. Quando você acredita em Deus, Deus é uma ideia, uma doutrina. Ele pode ser provado e contestado, sem nunca o transformar. Mas, se você tem fé, isso já o transforma. Eu não direi que a fé vai transformá-lo. Se você tem fé, ela já o transformou. A fé não conhece nenhum futuro, ela é imediatamente efetiva. Mas a fé não é da cabeça. Quando você tem fé, você tem fé em seu sangue, em seus ossos, em sua medula, em seu coração. Você tem fé em todo o seu ser. Um homem de fé é um homem de Deus.

Todo esforço de Jesus é para trazê-lo de volta para casa. Sim, Deus está gritando através dele: "Entronize-me!" Se você tiver fé, se tornará disponível e Deus será entronizado em você. Esse é o único modo de se estar cheio de graça. A menos que Deus seja entronizado em você, você permanecerá um mendigo, permanecerá pobre, permanecerá doente. Você nunca será inteiro e saudável, nunca conhecerá o êxtase da existência, nunca será capaz de dançar, rir e cantar e simplesmente ser... – somente se Deus for entronizado em você, e isso significa que você foi destronado e Deus ficou no seu lugar.

Assim, esta é a escolha, a maior escolha com a qual o homem se depara: ou ele continua no trono... ou deixa o trono e permite Deus entrar.


segunda-feira, outubro 09, 2017

Samsara: O Oceano de sofrimento


 - Mooji - 


Vamos investigar juntos.

Onde o Sansara começa?
Eu vou mostrar a vocês.
Ele começa quando você diz "eu" e assume o "eu" com um sentido pessoal, como sendo uma pessoa.
Então "vualá"... você tem Sansara!

Eu não quero dar a você respostas filosófica, isso não vai ajudá-lo.
Eu não quero dar a você uma resposta religiosa. Isso também não irá ajudá-lo.
É necessário que eu lhe dê uma resposta prática.

Você quer encontrar o fim, ou pôr um final a uma determinada coisa? Descubra onde ela começa. E então vá para antes desse início.

Como ela começa? Porque todos os seres dizem "eu". Naturalmente, ninguém ensinou a você a palavra "eu". Todas as demais palavras você aprendeu. Mas quem lhe ensinou "eu"? Essa é a grande mãe de todas as outras palavras. Porque quando você diz "eu", você não questiona esse "eu"... e todas as outras coisas você questiona.

Quando você diz "eu" e o toma como sendo pessoal – "eu sou uma pessoa" –, é exatamente aí que o Sansara começa.

Sansara significa: o oceano de sofrimento. É quando a vida está cheia de delusões, confusões, julgamentos, medos, ansiedades, depressão, promessas quebradas, sonhos desvanecidos... então o ser está cansado, frustrado, infeliz. Isso é Sansara.

Como parar isso?

Você o faz quando investiga: "para quem é este Sansara?", "Quem sente o impacto do Sansara?", "Quem sofre o Sansara"?

Porque se o sofrimento está aqui (em "mim"), a resposta também deve estar aqui. Quem está sofrendo Sanrara?

Se você diz "sou eu quem o está sofrendo" – e essa é a resposta mais natural, mais espontânea –, então eu irei pedir isso a você: "Mostre para mim o sofredor. Quem, exatamente, é esse que diz eu estou sofrendo?".

Talvez pareça estranho de minha parte estar perguntando isso a você. Porque você está tão convencido: "sou eu quem sofre, é claro!". Mas eu não estou perguntando a você "Quem", compreende? O que eu estou pedindo a você é: "Ajude-me a ver, ajude-me descobrir".

Mas você insiste: "sou eu quem o sofre!" – Esse é exatamente o lugar onde o sofrimento começa. Você está totalmente convencido de que você (enquanto "eu" pessoal) é aquele que o está sofrendo.

A resposta para este enigma do Sansara é encontrada exatamente aqui por detrás desse sentimento de existência do "eu" pessoal. A resposta subjaz ao sentimento de que "eu sou uma pessoa".

Tal sentimento do "eu" é concebido por todos como sendo um fato. E eu quero que você veja que na verdade ele é uma ficção e, então, encontre aquilo que é o fato. Quem é você enquanto fato, e não como ficção?

Se nós compreendermos este ponto, tudo estará resolvido.

Quem é aquele que está sofrendo Sansara? Pois todos estão reivindicando: "Por que você pergunta isso, Mooji? É claro que sou eu quem está sofrendo. Apenas estenda sua mão e me tire daqui".


sexta-feira, outubro 06, 2017

Ilusão: O "nada" aparecendo como "algo"

 - Joel S. Goldsmith - 


Se for chamado a dar ajuda espiritual a alguém, tente abandonar a prática de fazer afirmações e negações. É uma verdade sagrada que Deus é o único agente de cura. Uma ilusão deverá ser dissipada; porém, seria tolice crermos que isso possa ser feito pela mente humana. Assuma como absoluta a frase de Jesus: “Eu, de mim mesmo, nada faço.”

Eis a atitude que devemos tomar: sentados, de olhos fechados, deixarmos que o vento se manifeste. 

O trabalho será assim realizado. 

A cura ocorrerá por não depender de conhecimento ou de compreensão humana da Verdade. A confiança em Deus, na própria Verdade, dissipará a ilusão da mente mortal. O Verbo divino expresso será a prece. Não há nada neste mundo que não se possa realizar mediante o recebimento do Verbo divino no pensamento. O erro ou o mal, sendo irreal – um sentido ilusório – não pode ser exteriorizado (nunca pode ser uma pessoa, lugar ou coisa). 

Você não viverá harmoniosamente enquanto não entender a natureza da ilusão como sendo uma forma de hipnotismo coletiva, ou crença universal. Até então, irá temer ou odiar esta ou aquela forma de ilusão.

Mas a ilusão, independentemente da forma com que possa aparecer – se como pessoa ou condição – não é para ser temida, odiada, vencida ou destruída: é simplesmente para ser reconhecida como NADA.

Pecado, doença e morte não são problemas: são as formas sob as quais a ilusão única aparece. O mal é sempre ilusão, embora possa aparecer como pessoa, condição falta ou limitação. Quando a ilusão é tratada como hipnotismo – o "nada" querendo ser "alguma coisa" – ela desaparece em sua nulidade. 

Lutar contra seria fatal. Sempre aquilo que estiver aparecendo como mal estará sendo meramente uma sugestão mental agressiva. 

E você, com esta percepção irá vê-la se auto-destruindo. Assim, diante de qualquer tipo de ilusão de mal, lembre-se: ela não tem poder algum para ser além do que é: miragem, nada. 

Para ilustrar essa nulidade do mal, analisemos uma parábola oriental do homem que confundiu uma corda enrolada com uma cobra:

“Por volta de 500 A.C. Foi escrito: 

É Fácil acontecer de um homem, ao se banhar, pisar numa corda e imaginar que se trate de uma serpente.  Ficará aterrorizado e tremerá de medo, antecipando todo o sofrimento causado pelo veneno dentro de seus pensamentos.  Que alívio não irá sentir ao  perceber que a corda não é uma serpente!  A razão de seu susto era o seu erro, sua ignorância, sua ilusão. Se a natureza verdadeira da corda for reconhecida, ele recuperará a sua tranquilidade mental: ficará alegre e feliz. Este é o estado mental daquele que reconhece que não existe nenhum ego pessoal, e que a causa de todos os seus problemas e cuidados é uma miragem uma sombra um sonho.”

Ao senso material, pecado e doença aparecem como entidades reais, tendo substância, lei, causa e efeito. Ao senso material, o pecado e a doença parecem sólidos e pessoais.

Mas, para a consciência espiritual, ambos são irrealidades, existindo apenas como o produto da crença universal numa identidade separada de Deus.

Na metafísica, as curas do pecado e doença surgem à medida da conscientização da infinitude – da totalidade absoluta da eterna Vida e suas manifestações, e da irreal natureza de qualquer forma da ilusão.


segunda-feira, outubro 02, 2017

Perceba Quem sou!

- Núcleo -


MARAVILHOSO!

Isso Sou Eu!

Essas mensagens vêm do Núcleo, Fonte ou Essência de Quem Sou...

Eu… estou aparecendo como os autores de todos estes textos…

Eu… estou aparecendo como os divulgadores destes textos…

Eu… estou aparecendo como cada um dos leitores destes textos…

Sim, Sou Eu!

Sou Aquele que Vive em você;

Sou Quem percebe em você;

Sou Aquele que te conduz:

Do irreal ao Real;

Das trevas à Luz;

Da morte à Imortalidade…

Sim, sou a Consciência que te faz consciente de Quem Somos…

Eu Sou em você a percepção de que só há Um de nós…

E somos inseparáveis como a paciência e a sabedoria…

Eu Sou Alfa e Ômega; Princípio e Fim de todas coisas.

Estou em você e em tudo; e tudo está em Quem Sou…

Eleve-se em percepção!

Interaja Comigo!

Você pode!

Sim, você pode porque Eu posso!

Sou Eu em você Quem tudo pode…

Aja percebendo Quem age em você…

Aja com renúncia aos frutos da ação…

Então perceba que Sou Eu Quem age!

Aja com essa consciência de unidade Comigo.

Dê cada passo consciente de que Sou Eu Quem dá os passos…

Siga seu caminho consciente de que Eu Sou o Caminho!

Seja verdadeiro e consciente de que Eu Sou a Verdade!

Viva sua vida consciente de que Eu Sou a Vida!

Perceba que é somente por Mim que se vem a Mim…

Sinta aquela percepção em você que Me percebe!

E saiba que essa percepção em você é a Minha…

Concentre-se nesta percepção que Me percebe!

Contemple tudo o que ela te faz contemplar…

Então medite! Perceba-se Um Comigo.

Meditar é perceber!

Perceber o que É!

É perceber o Real…

É perceber-Me…

E perceber-Se…

Sim, medite!

Você pode!

Eu posso!

Sou você!

Sou Eu…